Conta de luz pode voltar a subir acima da inflação em 2026; entenda os motivos e o que observar na sua fatura

Risco maior de acionamento de termelétricas, bandeiras mais caras e aumento de subsídios via CDE podem pressionar tarifas, apesar da bandeira verde confirmada em fevereiro de 2026

23/02/2026 às 08:59 por Redação Plox

Depois de pesar no IPCA em 2025, a energia elétrica segue no radar dos economistas para 2026. O alerta combina três fatores: risco de uso maior de termelétricas em períodos de chuvas piores, possibilidade de bandeiras tarifárias mais caras e um aumento do volume de subsídios embutidos nas tarifas por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Conta de energia elétrica pode ter alta em 2026

Conta de energia elétrica pode ter alta em 2026

Foto: Agência Brasil


O que deve puxar a alta da conta de luz em 2026

Especialistas do setor apontam que, quando reservatórios ficam mais apertados e a operação precisa recorrer a fontes mais caras (como térmicas), o custo do sistema tende a subir — e parte disso chega ao consumidor via tarifas e bandeiras. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) seguem acompanhando chuvas, afluências e armazenamentos, com atenção especial à virada para o período seco.

Outro componente que pressiona a conta é a CDE, fundo que banca políticas e descontos no setor elétrico e é majoritariamente custeado nas tarifas. Para 2026, a ANEEL levou a consulta pública uma proposta com R$ 52,7 bilhões de orçamento total e estimou R$ 47,8 bilhões a serem suportados nas contas (CDE-Uso), valor que ficou acima do cálculo de 2025.

Bandeiras tarifárias: por que elas importam (e como está hoje)

O sistema de bandeiras funciona como um “sinal mensal” do custo de geração. Quando o cenário é favorável, fica na verde (sem cobrança extra). Em condições piores, pode ir para amarela ou vermelha (patamares 1 e 2), com adicionais na fatura.

No curto prazo, há alívio: a ANEEL confirmou bandeira verde em fevereiro de 2026, citando condições favoráveis de geração naquele momento. O ponto de atenção é que isso pode mudar ao longo do ano conforme clima e reservatórios.

O “fantasma” de 2025: energia foi a vilã do IPCA

O debate ganhou força porque a energia elétrica residencial teve alta de 12,31% em 2025 e foi o subitem de maior impacto individual no IPCA, que fechou o ano em 4,26%, segundo o IBGE. Esse histórico aumenta a sensibilidade do consumidor a qualquer sinal de bandeira ou reajuste.

O que o consumidor pode fazer: checklist simples

  • Acompanhe a bandeira do mês (divulgada pela ANEEL): se sair do verde, revise consumo imediatamente (chuveiro, ar-condicionado e geladeira costumam liderar).
  • Olhe a fatura além do “valor total”: identifique se houve bandeira, aumento de encargos e reajuste tarifário da distribuidora.
  • Aposte em redução de pico: evitar uso simultâneo de equipamentos de alto consumo pode reduzir kWh, especialmente em dias quentes.
  • Se você tem direito, confira a Tarifa Social: parte dos descontos do setor é justamente para baixa renda via CDE — vale checar elegibilidade no CadÚnico e na sua distribuidora.

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