Lula se irrita e discute com repórter da Globo durante entrevista coletiva na Índia

Ao vivo, presidente contestou pergunta do jornalista Tiago Eltz (GloboNews) e interrompeu a questão ao negar ter falado em “receber criminosos” no Brasil, destacando diferença entre “receber” e “prender” suspeitos

23/02/2026 às 08:49 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento de tensão com um repórter do Grupo Globo durante uma entrevista coletiva transmitida ao vivo, em meio à sua agenda oficial na Índia. Ao ser questionado, Lula contestou a forma da pergunta, o que elevou o clima no local e repercutiu nas redes sociais, com recortes do vídeo circulando ao longo deste domingo (22).

Tiago Eltz e Lula

Tiago Eltz e Lula

Foto: Reprodução/Canal Gov


Lula se irrita com formulação de pergunta

De acordo com relato publicado pelo Terra, o repórter Tiago Eltz (Globo/GloboNews) iniciou uma pergunta citando que Lula teria dito, “agora há pouco”, que poderia “acertar de receber criminosos para o Brasil” em conversa com o presidente dos Estados Unidos. Nesse momento, Lula interrompeu a pergunta e negou a afirmação, dizendo que o jornalista “não ouviu isso” e argumentando que, se aceitasse a pergunta daquela maneira, pareceria que ele havia dito algo que não disse.

Ainda segundo o mesmo relato, o repórter reformulou a questão, reconhecendo que a fala não teria sido “exatamente dessa forma”. Lula, porém, insistiu na distinção entre os termos “receber” e “prender”, afirmando que a intenção seria prender suspeitos ligados a crimes, e não simplesmente “recebê-los” no país.

O episódio, registrado durante a coletiva na Índia, passou a circular em cortes nas redes sociais e reforçou o foco sobre a discussão direta entre Lula e o repórter da Globo, transformando o embate verbal em um dos pontos centrais da cobertura da viagem.

Posicionamentos oficiais ainda são aguardados

Até o momento desta apuração, não foi localizado comunicado específico do Palácio do Planalto sobre o episódio envolvendo o repórter na coletiva. A informação segue em verificação quanto à eventual publicação de nota, esclarecimento formal ou transcrição oficial do trecho no site do governo referente à agenda na Índia.

Como referência de transparência, o Planalto mantém em seu portal páginas com transcrições de entrevistas coletivas em outras ocasiões, como a realizada em Nova York em 25/09/2024. Isso indica que o conteúdo da coletiva na Índia também poderá ser disponibilizado posteriormente em formato oficial.

Relação com a imprensa e efeitos políticos

O confronto verbal entre Lula e o repórter da Globo tende a alimentar o debate sobre a forma como perguntas são feitas e respondidas em entrevistas coletivas. A disputa de enquadramento — entre “o que foi dito” e “como foi perguntado” — volta ao centro da discussão sobre a relação entre governo e imprensa.

Outro ponto em jogo é o risco de desinformação quando trechos de entrevistas circulam em cortes nas redes sociais, sem o contexto completo da coletiva. Em situações como essa, a recomendação é que o público busque, sempre que possível, o vídeo integral e compare a fala original com os resumos e interpretações em circulação.

No campo político, episódios de tensão como esse costumam ser explorados por adversários e aliados. Críticas à imprensa, críticas ao presidente e disputas narrativas em torno do embate podem intensificar a polarização e ampliar o peso simbólico do diálogo entre Lula e o repórter durante a agenda na Índia.

O que ainda está em apuração

Entre os próximos passos, está a checagem sobre a disponibilização da íntegra do vídeo da coletiva pelo CanalGov, que foi citado como responsável pela transmissão ao vivo, e a eventual publicação de transcrição ou nota oficial pelo Planalto sobre a entrevista na Índia.

Também permanece em apuração se a Globo/GloboNews ou o jornalista citado irão se manifestar oficialmente sobre o episódio. Essas eventuais manifestações podem ajudar a esclarecer percepções divergentes sobre a pergunta, a resposta e o contexto do momento de tensão entre Lula e o repórter.

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