Margareth Menezes canta no Carnaval com verba pública e caso reacende debate sobre conflito de interesse

Contratos com prefeituras para shows em 2025 somaram R$ 640 mil, e levantamento de 2026 aponta apresentação no Furdunço, em Salvador, com valor informado de R$ 290 mil; ministra nega irregularidades e diz ter aval da Comissão de Ética

23/02/2026 às 12:04 por Redação Plox

A presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, em shows de Carnaval bancados com verba pública recolocou no centro do debate político o uso de recursos oficiais em apresentações de autoridades que mantêm atuação profissional paralela. A discussão envolve possíveis conflitos de interesse, o papel da Comissão de Ética Pública (CEP) e os critérios adotados por prefeituras na contratação de artistas para eventos financiados pelo poder público.

Margareth Menezes é Ministra da Cultura do Governo Lula

Margareth Menezes é Ministra da Cultura do Governo Lula

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Contratos de Carnaval e valores pagos com recursos públicos

Margareth Menezes, que segue em atividade como cantora enquanto ocupa o comando do Ministério da Cultura, foi contratada por prefeituras para apresentações de Carnaval com pagamento oriundo de cofres municipais. Em 2025, reportagens apontaram que acordos firmados em Salvador (BA) e Fortaleza (CE) somaram R$ 640 mil, incluindo cachê e custos de produção, como equipe e estrutura. A divulgação desses valores motivou questionamentos de parlamentares e pedidos de esclarecimentos no Congresso Nacional.

O tema voltou a ganhar força no contexto do Carnaval de Salvador. Um levantamento publicado em fevereiro de 2026 listou cachês de atrações do Furdunço e indicou Margareth Menezes entre os nomes contratados, com valor informado de R$ 290 mil e apresentação prevista para 17/02/2026, de acordo com essa publicação. O eixo da controvérsia permanece o mesmo: a ministra da Cultura cantando no Carnaval com pagamento feito por prefeituras, a partir de verba pública.

Posicionamentos e decisões da Comissão de Ética Pública

Em audiência pública realizada em 30/04/2025 na Câmara dos Deputados, a ministra rejeitou a existência de irregularidades nas contratações. Segundo registro oficial da Casa, ela afirmou ter obtido aval da Comissão de Ética Pública antes de aceitar os shows e sustentou que as apresentações ocorreram durante seu período de férias.

Reportagem divulgada em 16/03/2025 pela Agência Estado/UOL apontou que a CEP reformou entendimento anterior e passou a permitir que a ministra recebesse pagamentos com recursos públicos por apresentações artísticas, desde que fossem cumpridas as condições avaliadas pelo órgão após consulta feita pela própria Margareth Menezes.

Efeitos sobre contribuinte, prefeituras e debate político

Para o contribuinte, casos como o de Margareth Menezes cantando no Carnaval com verba pública tendem a ampliar a cobrança por transparência nos contratos culturais. Entram nesse radar os valores pagos, a justificativa para a contratação, a modalidade escolhida e as entregas previstas.

Para prefeituras e organizadores de eventos, o episódio reforça a necessidade de divulgação detalhada dos contratos, discriminando o que é cachê artístico e o que corresponde a custos operacionais, como estrutura de som, palco e equipe técnica. A publicação clara desses itens busca reduzir o risco de contestações políticas e de ações de órgãos de controle.

No campo político, o caso alimenta o debate sobre os limites éticos para autoridades que mantêm atividades privadas remuneradas. Mesmo quando há autorização formal de instâncias de ética, a combinação entre cargo público, visibilidade institucional e recebimento de cachês com dinheiro público segue sendo alvo de disputa narrativa e de fiscalização.

Contratos em análise e possíveis desdobramentos

A expectativa é de que órgãos de controle e parlamentares intensifiquem o acompanhamento de contratos e publicações oficiais relacionados ao Carnaval, especialmente os envolvendo a ministra. A tendência é de novos pedidos de documentos e de detalhamento de itens de custo, justificativa de preço, forma de contratação e fonte do recurso utilizado.

Conforme surjam novos contratos para o Carnaval de 2026 e eventuais representações em órgãos de fiscalização, o tema pode ganhar novos capítulos, mantendo no foco a fronteira entre atuação artística e função pública.

Para 2026, a confirmação completa dos termos da contratação em Salvador e de outras eventuais apresentações ainda depende do acesso a contratos ou atos oficiais específicos, como publicações em Diário Oficial ou em portais de transparência. Esses documentos devem detalhar o objeto, as rubricas e a origem do recurso, além de posicionamentos formais tanto da prefeitura envolvida quanto da equipe da artista sobre a composição do valor divulgado, isto é, quanto se refere a cachê e quanto se destina à produção.

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