Justiça do DF vê indícios de padrão violento e cita outras ocorrências contra Pedro Turra

Ao receber denúncia por homicídio, decisão menciona registros policiais que relatam agressões anteriores atribuídas ao ex-piloto, incluindo caso com adolescente e denúncia de uso de taser

23/02/2026 às 08:08 por Redação Plox

Na decisão em que recebeu a denúncia por homicídio contra Pedro Arthur Turra Basso, a Justiça do Distrito Federal apontou indícios de um “padrão de comportamento violento” e mencionou outras ocorrências policiais envolvendo o ex-piloto.


Pedro Turra, em vídeo divulgado pela defesa

Pedro Turra, em vídeo divulgado pela defesa

Foto: Arquivo pessoal/Reprodução


O portal de notícias  g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados na 38ª Delegacia de Polícia por uma ex-amiga de Turra — a mesma que afirma ter sido obrigada a ingerir bebida alcoólica. À época dos fatos, ela tinha 17 anos.

Nas denúncias, a jovem relata ter sido agredida com um taser — arma de choque elétrico — dentro de um carro e afirma que foi empurrada de uma lancha no Lago Paranoá pelo ex-piloto.

Empurrão durante passeio de lancha no Lago Paranoá

Um dos boletins de ocorrência foi registrado como perigo para a vida e omissão de socorro. O episódio ocorreu em setembro de 2025, durante um passeio de lancha no Lago Paranoá, no Setor de Clubes Sul.

Em depoimento, a jovem disse que estava com Pedro Turra e outro amigo quando foi empurrada por ele e caiu na água.

De acordo com o registro policial, a lancha não tinha escada para facilitar o retorno à embarcação. A jovem afirmou que pediu ajuda para subir, mas que Turra e o amigo apenas riam da situação.

Segundo o boletim, ela precisou nadar até um deck para conseguir sair da água e sofreu arranhões nas pernas.

Relato de choques elétricos com taser

A outra ocorrência foi registrada como crime de tortura. Segundo o depoimento, o caso aconteceu no Park Way.

À polícia, a jovem contou que estava no banco traseiro de um carro, acompanhada por Pedro Turra, pela namorada dele e por outros amigos, quando um deles teria trancado as portas do veículo. Ao tentar sair, ela relatou ter sido impedida pela namorada de Pedro.

PEDRO TURRA pegou a arma de choque e pediu para desferir alguns choques na declarante, mas esta começou a chorar e disse que não queria receber as descargas elétricas. Mesmo contra sua vontade, PEDRO TURRA começou a lhe dar choques nos seios, na barriga e nas pernas — boletim de ocorrência registrado na 38ª DP

Ainda conforme o registro policial, o aparelho só parou quando descarregou completamente. A vítima contou que as agressões teriam durado cerca de 10 minutos.

O boletim informa que a jovem foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito, já que disse ter ficado com marcas dos choques. No depoimento, relatou também ter sentido dores pelo corpo e estar abalada emocionalmente após o episódio.

Ex-piloto está preso preventivamente

Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em 23 de janeiro, em Vicente Pires, no Distrito Federal. O adolescente morreu após 16 dias internado em estado gravíssimo.

O ex-piloto cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda, desde 2 de fevereiro. O Tribunal de Justiça do DF negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Denúncia após repercussão do caso

Depois da repercussão da morte de Rodrigo Castanheira, a jovem procurou a Delegacia de Vicente Pires e denunciou Pedro por tê-la forçado a ingerir bebida alcoólica quando ainda era menor de idade.

De acordo com o delegado Pablo Aguiar, da 38ª DP, o fato teria ocorrido em junho do ano passado, durante uma festa no Jóquei Clube de Brasília.

A jovem entregou à polícia um vídeo em que aparece tentando se afastar enquanto Pedro segura uma garrafa de vodka.

Ela não tinha comunicado esse fato antes. Inclusive, ela é amiga pessoal dele e da companheira dele — delegado Pablo Aguiar

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