Focus: mercado eleva projeção de inflação e vê Selic mais alta em 2026
Boletim do Banco Central indica IPCA em torno de 4% no próximo ano, perto do teto da meta, e reforça expectativa de política monetária restritiva, com juros ainda elevados.
23/03/2026 às 08:59por Redação Plox
23/03/2026 às 08:59
— por Redação Plox
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Os economistas do mercado financeiro passaram a esperar uma inflação mais alta em 2026, perto do teto da meta, e uma Selic ainda elevada ao longo do próximo ano, segundo as projeções reunidas no boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. O cenário reforça o desafio do BC de manter o IPCA dentro do sistema de meta contínua, com centro em 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O Focus compila semanalmente as estimativas de analistas para os principais indicadores da economia brasileira e é acompanhado de perto por empresas e consumidores por consolidar a leitura do mercado sobre inflação, juros, câmbio e crescimento.
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Foto: Reprodução
Inflação segue perto do limite superior do regime de metas
Nas edições recentes do boletim, as projeções para a inflação oficial (IPCA) em 2026 ficaram em torno de 4%. Embora esse patamar ainda esteja dentro da faixa de tolerância do regime de metas, ele se mantém próximo do limite superior, de 4,5%.
Pelo modelo de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, o objetivo é manter a inflação em 3%, considerando-se dentro da meta quando o IPCA em 12 meses oscila entre 1,5% e 4,5%, conforme as regras do Conselho Monetário Nacional e a sistemática descrita pelo Banco Central.
Mercado vê trajetória de juros ainda restritiva em 2026
O conjunto de projeções também aponta para juros ainda elevados. A Selic, taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), serve de referência para o custo do crédito no país e influencia financiamentos, empréstimos e decisões de investimento.
Com esse pano de fundo, a leitura consolidada no Focus é de que a política monetária deve permanecer restritiva, mantendo a Selic em nível alto ao longo de 2026.
PIB e demais estimativas acompanhadas no boletim
Além de inflação e juros, o boletim traz projeções para a atividade econômica. Em janeiro, por exemplo, a Agência Brasil destacou que o mercado projetava crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,80% em 2026, indicando expectativa de expansão moderada para o próximo ano.
O Focus é divulgado pelo Banco Central com base em levantamento junto a instituições do mercado e reúne, de forma regular, estimativas para inflação, juros, câmbio e crescimento.