Dólar recua a R$ 5,27 e petróleo desaba após fala de Trump sobre Irã

Moeda americana caía 0,59% por volta das 9h30, enquanto o Brent e o WTI recuavam mais de 10% no exterior após declaração sobre conversas entre EUA e Irã.

23/03/2026 às 09:57 por Redação Plox

O dólar abriu a semana em queda e recuava 0,59% por volta das 9h30 desta segunda-feira (23), negociado a R$ 5,2771. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a operar às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Petróleo inverte sinal após declaração de Trump

No mercado internacional, os preços do petróleo mudaram de direção nesta segunda-feira. Depois de o Brent alcançar US$ 113 por barril, a cotação passou a cair mais de 10% após Donald Trump afirmar que houve conversas “produtivas” entre Estados Unidos e Irã e que eventuais ataques a instalações energéticas iranianas seriam adiados.

Perto das 9h (horário de Brasília), o Brent com vencimento mais próximo caía 10,23%, a US$ 100,71 o barril. Já o WTI recuava 10,39%, cotado a US$ 88. Durante a manhã, o Brent chegou a operar abaixo de US$ 100.

Bolsas reagem com alta no pré-mercado dos EUA

A sinalização de avanço no diálogo entre Washington e Teerã também se refletiu nos mercados acionários. Por volta das 9h (horário de Brasília), os futuros do S&P 500 e do Nasdaq subiam 2,45%, enquanto os contratos do Dow Jones avançavam 2,65%.

Lula cita possível recompra de refinaria na Bahia

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou na sexta-feira que a Petrobras pode recomprar a Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada na Bahia.

ANP aponta alta do diesel em março

Em meio a um cenário de combustíveis mais caros, um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que o preço do diesel aumentou 20,6% na segunda semana de março, na comparação com o período de 22 a 28 de fevereiro, chegando a R$ 7,65 por litro.

Indicadores do dia: dólar e Ibovespa

Dólar

Acumulado da semana: -0,11%
Acumulado do mês: +3,40%
Acumulado do ano: -3,28%

Ibovespa

Acumulado da semana: -0,81%
Acumulado do mês: -6,66%
Acumulado do ano: +9,37%

Trump anuncia pausa e Irã contesta versão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta manhã que determinou uma pausa de cinco dias em possíveis ataques contra instalações de energia do Irã. Segundo ele, a decisão foi anunciada em uma publicação na rede Truth Social, após conversas recentes entre representantes dos dois países, classificadas por Trump como produtivas.

De acordo com o presidente americano, os contatos ocorreram ao longo do fim de semana e discutiram a possibilidade de encerrar o conflito no Oriente Médio. Diante desse quadro, ele disse ter orientado o Departamento de Guerra a adiar qualquer ataque contra usinas de energia e outras estruturas do setor no Irã durante o período, enquanto as discussões seguem.

A versão apresentada pelos Estados Unidos, porém, foi contestada por veículos de comunicação ligados ao governo iraniano. A agência Fars, associada à Guarda Revolucionária do Irã, informou nesta segunda-feira (23) que não há negociações em andamento entre autoridades de Teerã e de Washington.

Citando fontes do governo iraniano, a Fars também afirmou que Trump teria recuado após ameaças do Irã de atingir instalações de energia na região do Golfo. A agência estatal Tasnim divulgou posição semelhante e disse que não houve nem haverá negociações entre os dois países.

Segundo a publicação, declarações desse tipo fariam parte de uma tentativa de pressão política e que, nesse cenário, o Estreito de Ormuz não voltaria às condições anteriores à guerra, nem haveria estabilidade nos mercados de energia.

Já a agência Mehr informou que o ministro das Relações Exteriores do Irã avalia que a declaração de Trump teria como objetivo pressionar os preços do petróleo e do gás para baixo, após a alta registrada desde o início do conflito.

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países. No domingo, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar usinas de energia em Israel, além de instalações que abastecem bases militares americanas na região do Golfo.

A ameaça foi uma resposta a declarações feitas por Trump no sábado (21). Na ocasião, o presidente americano afirmou que poderia “obliterar” usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. O prazo terminaria por volta das 19h44 desta segunda-feira, no horário de Brasília.

Um ataque a instalações de energia do Irã ampliaria o conflito entre os dois países, que já dura mais de três semanas.

Mercados globais: Europa sobe e Ásia recua

Os mercados reagiram com força nesta segunda-feira às declarações de Trump sobre o conflito com o Irã, com impacto tanto nas bolsas quanto no petróleo.

Antes da abertura de Wall Street, os contratos futuros dos principais índices americanos registravam alta expressiva: o S&P 500 e o Dow Jones Industrial Average avançavam cerca de 2,6%, enquanto a Nasdaq subia 2,45%.

Na Europa, o índice francês CAC 40 avançava 0,94%, para 7.736,74 pontos, e o alemão DAX subia 1,28%, para 22.684,17 pontos. Já o britânico FTSE 100 recuava 0,11%, para 9.910,75 pontos.

Na Ásia, onde os mercados já haviam fechado, o dia foi de quedas generalizadas. Na China, o índice de Xangai caiu 3,63%, no pior desempenho desde abril de 2025. O CSI300 recuou 3,26%, no menor nível de fechamento em seis meses.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 3,54%, no pior resultado em quase um ano. No Japão, o Nikkei recuou 3,48%, aos 51.515 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 6,49%, para 5.405 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve baixa de 2,45%, aos 32.722 pontos.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a