Relatório da WMO aponta 2015-2025 como década mais quente e coloca 2025 entre os anos recordes
Documento “Estado do Clima Global 2025” estima aquecimento médio de cerca de 1,43°C acima do período pré-industrial e relaciona o cenário ao aumento de gases de efeito estufa, aquecimento dos oceanos e derretimento de gelo.
23/03/2026 às 16:34por Redação Plox
23/03/2026 às 16:34
— por Redação Plox
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O relatório Estado do Clima Global 2025, da World Meteorological Organization (WMO), apontou que o período de 2015 a 2025 foi o mais quente já registrado desde o início da série histórica, em 1850. O documento foi divulgado nesta segunda-feira (23), no Dia Mundial da Meteorologia.
Segundo o relatório, 2025 está entre os anos mais quentes já observados, com temperatura média cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900).
O estudo relaciona o cenário ao avanço contínuo do aquecimento da atmosfera e dos oceanos e ao derretimento de geleiras, impulsionados pelas concentrações de gases de efeito estufa.
Relatórios da ONU aponta que última década foi a mais quente da história.
Foto: Agência Brasil
ONU fala em emergência e chama atenção para a dependência de fósseis
O estado do clima global é de emergência. O planeta Terra está sendo levado além de seus limites. Todos os principais indicadores climáticos estão em alerta máximo
António Guterres
A humanidade acaba de passar pelos onze anos mais quentes já registrados. Quando a história se repete onze vezes, não é mais uma coincidência. É um chamado à ação
António Guterres
O relatório destaca ainda que eventos extremos em diferentes regiões do mundo — como calor intenso, chuvas torrenciais e ciclones tropicais — vêm causando transtornos e devastação, evidenciando a vulnerabilidade de economias e sociedades interconectadas. Entre os efeitos em cascata mencionados estão a insegurança alimentar e o deslocamento de pessoas.
Em outra avaliação apresentada na nota divulgada pela WMO, Guterres afirmou que a dependência de combustíveis fósseis também afeta a segurança global, em um contexto de guerra, e alertou para a aceleração do “caos climático” e para o risco da demora.
Balanço sobre equilíbrio energético da Terra é um dos principais indicadores climáticos.
Foto: Agência Brasil
Desequilíbrio energético: oceano absorve a maior parte do excesso de calor
O documento incluiu um balanço sobre o equilíbrio energético da Terra como indicador climático. Esse balanço mede a taxa de energia que entra e sai do sistema terrestre. De acordo com a WMO, em um clima estável, a energia solar recebida tende a ser próxima à energia irradiada.
No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa que retêm calor — dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — tem levado ao desequilíbrio desse indicador. Segundo o estudo, esse desequilíbrio cresce desde o início das observações em 1960, com destaque para a intensificação nos últimos 20 anos.
Como resultado, 91% do excesso de calor fica armazenado no oceano, que funciona como amortecedor contra o aumento das temperaturas em terra — o que, por sua vez, aquece as águas. O relatório também aponta avanço no derretimento do gelo no Ártico e na Antártida, já que 3% do excesso de energia aquece e derrete o gelo.
Segundo a entidade, o aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo impulsionam, no longo prazo, a elevação do nível médio do mar, cuja taxa de aumento se acelerou desde o início das medições por satélite, em 1993.
2025 está entre os mais quentes já registrados, com cerca de 1,43 grau Celsius (°C).
Foto: Agência Brasil
A WMO acrescenta que mudanças no aquecimento dos oceanos e no pH das profundezas oceânicas são irreversíveis em escalas de tempo que variam de séculos a milênios.
Em 2025, o calor armazenado no oceano — até 2 mil metros de profundidade — atingiu o nível mais alto desde o início dos registros, em 1960, superando o recorde anterior, de 2024.
Entre as consequências apontadas estão a degradação de ecossistemas marinhos, a perda de biodiversidade e a redução do sumidouro de carbono oceânico. A WMO também informa que o aquecimento da atmosfera responde por 1% do total do excesso de calor, enquanto cerca de 5% fica armazenado nas massas continentais.
Gases de efeito estufa impulsionam o aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos e o derretimento de geleiras.
Foto: Agência Brasil
WMO diz que impactos podem durar por séculos
Em nota, a secretária-geral da WMO, Celeste Saulo, afirmou que os avanços científicos ampliaram a compreensão sobre o desequilíbrio energético da Terra e sobre os desafios enfrentados pelo planeta.
Segundo ela, as atividades humanas vêm comprometendo cada vez mais o equilíbrio natural e o mundo deverá conviver com as consequências por centenas e até milhares de anos. Na avaliação apresentada na nota, o clima tem se tornado mais extremo, e em 2025 eventos como ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e geraram bilhões em prejuízos econômicos.
O estado do clima global é de emergência, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em nota divulgada pela WMO.
Foto: Agência Brasil
Impactos na saúde e no trabalho
A WMO alerta que as mudanças climáticas afetam de forma ampla a mortalidade, os meios de subsistência, os ecossistemas e os sistemas de saúde. O relatório menciona ainda o aumento do risco de doenças transmitidas por vetores e pela água, além de fatores de estresse relacionados à saúde mental, especialmente entre populações vulneráveis.
De acordo com a entidade, mais de um terço da força de trabalho global — 1,2 bilhão de pessoas — enfrenta riscos relacionados ao calor no local de trabalho, sobretudo na agricultura e na construção civil. Além dos impactos à saúde, o cenário provoca perdas de produtividade e compromete meios de subsistência.
A WMO avalia que há necessidade urgente de integrar dados meteorológicos e climáticos aos sistemas de informação em saúde, com o objetivo de ampliar medidas preventivas por parte das autoridades, em vez de ações apenas reativas.