Aécio vê aliança com Lula e PT como “difícil, mas não impossível” para apoiar Pacheco em MG

Deputado do PSDB critica a gestão petista no Planalto, defende relação “republicana” com Lula e relembra articulações eleitorais envolvendo PT e PSDB em Minas

23/04/2026 às 10:50 por Redação Plox

O deputado federal Aécio Neves, presidente do PSDB, avalia como “difícil, mas não impossível” uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT para apoiar uma eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas Gerais.

Em entrevista à coluna Poder em Minas, Aécio criticou a gestão petista no governo federal, mas defendeu a manutenção de uma relação republicana com Lula. Ele também citou proximidade com lideranças petistas em Minas, como a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos.

O presidente Lula (esq.), o deputado Aécio Neves (cen.) e o senador

O presidente Lula (esq.), o deputado Aécio Neves (cen.) e o senador

Foto: Rodrigo Pacheco (dir.) • PR/Câmara dos Deputados/Agência Senado


“Lulécio” de 2006 e ausência de acordo formal

Questionado sobre o fenômeno conhecido como “Lulécio”, registrado em 2006 — quando eleitores votaram em Aécio para o governo de Minas e em Lula para a Presidência —, o deputado afirmou que a convergência ocorreu de forma natural e sem acerto formal entre os dois políticos.

Não é uma construção muito fácil. Na minha avaliação sobre o que ocorreu em 2006, foi uma convergência de fatores, não houve uma combinação ou acerto de um apoiar o outro. Meu governo tinha muitas entregas e existia o Bolsa Família, que atendia as regiões mais pobres do estado. Houve uma convergência natural. Não sei se isso é possível que se repita. Nós, que criticamos o PT, não do ponto de vista pessoal, sempre tive uma relação republicana com o presidente Lula. Fez investimentos importantes em Minas? Não, não fez. Mas tivemos uma relação republicana. Temos que voltar ao tempo em que o adversário não é um inimigo que precisa ser dizimado a qualquer custo. Os agentes públicos têm que conversar. Foi um erro do governo Zema cortar diálogos com o governo federal

Aécio Neves

Ao ser perguntado sobre uma possível reedição de um arranjo político para garantir um palanque robusto a Rodrigo Pacheco, Aécio evitou cravar a viabilidade, mas reforçou a tese de que uma composição, embora complexa, não deve ser descartada.

Aliança formal em 2008 e tentativa de ampliar a experiência

PT e PSDB já estiveram formalmente no mesmo campo em Minas na eleição municipal de 2008, quando o então prefeito Fernando Pimentel e o então governador Aécio Neves se uniram para apoiar Márcio Lacerda (PSB).

Ao relembrar o episódio, Aécio disse que desejava que a articulação, descrita por ele como “utópica”, pudesse se expandir nacionalmente, mas avaliou que o PT não teria tido interesse em reduzir a polarização política. Ele também mencionou sua relação com Marília Campos, afirmando ter mantido parcerias em Contagem durante seu governo e dizendo que seguirá dialogando com a ex-prefeita.

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