Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã e apreensão de navios em Ormuz
Brent chegou a passar de US$ 103 e WTI operava perto de US$ 93,91 em meio a incertezas sobre o cessar-fogo e risco de confronto direto na rota de 20% do petróleo mundial
23/04/2026 às 09:43por Redação Plox
23/04/2026 às 09:43
— por Redação Plox
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Em meio às incertezas sobre os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo seguiam em alta na manhã desta quinta-feira (23/4). O barril do tipo brent, referência global, chegou a superar o patamar de US$ 103.
Por volta das 8h10 (horário de Brasília), o contrato futuro para junho do petróleo WTI, referência do mercado norte-americano, avançava 1,02% e era negociado a US$ 93,91. No mesmo horário, o contrato futuro do brent subia 1,01%, a US$ 102,94.
Mais cedo, o brent ultrapassou a marca de US$ 103. Na véspera, o barril chegou a US$ 106,08, maior valor em duas semanas.
No dia anterior, os preços já haviam fechado em alta. O WTI subiu 3,66%, a US$ 92,96, enquanto o brent avançou 3,5%, a US$ 101,91.
Imagem ilustrativa.
Foto: Freepik.
Casa Branca minimiza apreensão de navios pelo Irã
A Casa Branca afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não considera a apreensão de navios estrangeiros pelo Irã no Estreito de Ormuz uma violação do cessar-fogo em vigor entre os dois países. A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão marítima na região, apesar da prorrogação da trégua.
A porta-voz do governo, Karoline Leavitt, destacou que as embarcações apreendidas não pertenciam nem aos EUA nem a Israel.
Esses não eram navios americanos. Esses não eram navios israelenses. Eram duas embarcações internacionais
Karoline Leavitt
Segundo Leavitt, a ação atribuída à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) não altera o entendimento de Washington sobre o cessar-fogo. Ainda assim, ela classificou a operação como “pirataria” e criticou a capacidade naval iraniana.
Mais cedo, a IRGC informou ter apreendido duas embarcações que, segundo Teerã, operavam sem autorização, violavam regulamentos marítimos e manipulavam sistemas de navegação. A mídia estatal iraniana também relatou que um terceiro navio, de propriedade grega, foi alvo das forças iranianas e ficou inoperante perto da costa do país.
Mesmo com a trégua formalmente em vigor, os EUA mantêm bloqueio naval em áreas estratégicas, incluindo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Teerã considera a medida uma continuação das hostilidades e autoridades iranianas já indicaram que podem reagir caso o bloqueio persista, elevando o risco de confronto direto.
Ormuz é o canal marítimo entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado um ponto central para a energia global por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL).
Trump diz que Irã suspendeu execução de oito mulheres
Trump afirmou, nessa quarta-feira (22/4), em publicação na rede social Truth Social, que o Irã decidiu não executar oito mulheres que estavam presas. Segundo ele, a decisão teria ocorrido após um pedido feito por ele às autoridades iranianas.
De acordo com o presidente norte-americano, quatro das mulheres serão libertadas, enquanto as outras quatro terão a pena reduzida para um mês de prisão. Trump agradeceu ao governo iraniano por atender ao apelo e cancelar as execuções.
Não há informações sobre por quais crimes o Irã denunciou as mulheres. Na terça-feira (21/4), Trump já havia se manifestado sobre o caso, afirmando que a libertação poderia representar um passo positivo nas negociações entre os dois países e pediu que elas não fossem prejudicadas, sob o argumento de que um gesto desse tipo poderia contribuir para o diálogo.
Israel e Líbano retomam negociações em Washington
Israel e o Líbano devem voltar a se reunir nesta quinta-feira (23/4), em Washington (EUA), para uma nova rodada de negociações em busca de um acordo de paz para a região. O Líbano pretende pedir a prorrogação do cessar-fogo — em vigor até domingo (26/4) — por pelo menos mais dez dias.
Na véspera, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que as negociações continuam e disse que trabalha para encerrar a situação no país, segundo publicação nas redes sociais.
Apesar do cessar-fogo, um ataque israelense deixou cinco mortos no Líbano, incluindo a jornalista Amal Khalil. Após a confirmação da morte, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de cometer crimes de guerra.
Na madrugada desta quinta-feira, as Forças de Defesa de Israel anunciaram a prisão de um terrorista da Força Radwan do Hezbollah no sul do Líbano. Segundo o Exército israelense, ele planejava um ataque contra um soldado do país.
Israel também acusou o Hezbollah de violar o cessar-fogo. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, o grupo lançou uma aeronave em direção a soldados israelenses que operavam ao sul do Líbano.
Após Israel atacar o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah — aliado do país persa — respondeu com ofensiva a Tel Aviv, o que agravou as tensões na região. Israel tem atacado o sul do Líbano com a justificativa de afastar o grupo paramilitar da fronteira.
Com isso, mais de 1 milhão de libaneses foram deslocados de suas casas devido aos combates e ordens de evacuação.
Nas negociações de paz envolvendo Irã e EUA, o governo do Paquistão, mediador do acordo, chegou a afirmar que o Líbano também estava incluído na trégua. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no entanto, declarou que o país não estava no acordo e que a guerra continuaria até que o Hezbollah fosse neutralizado.