Exportações do Brasil ao Golfo caem 31% em março com guerra no Irã e tensão no Estreito de Hormuz

Dificuldades de navegação e custos extras afetaram embarques, sobretudo de milho, açúcar e melaços; importações de fertilizantes nitrogenados dispararam

23/04/2026 às 11:29 por Redação Plox

As exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico recuaram em março, em meio aos efeitos da guerra no Irã e às dificuldades de navegação no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados na plataforma ComexStat, indicam que as vendas brasileiras para a região somaram US$ 537,1 milhões no mês. O resultado representa uma queda de 31,47% em relação a março do ano passado.


Produção de soja e milho  – Exportação para a Guiana Francesa

Produção de soja e milho – Exportação para a Guiana Francesa

Foto: Freepik


Golfo concentra mercados relevantes para o agronegócio brasileiro

O Golfo Pérsico reúne mercados importantes para o Brasil, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. A maior parte do comércio com esses países é formada por produtos do agronegócio, que representam cerca de 75% das exportações brasileiras para a região.

Com a interrupção parcial do transporte marítimo, o impacto foi mais forte sobre alimentos que dependem de embarques regulares em grande escala. O milho praticamente deixou de ser enviado no mês, enquanto as exportações de açúcar e melaços sofreram forte retração.

Outros grãos também foram afetados: no caso do trigo e do centeio, não houve embarques relevantes ao Golfo Pérsico em março.

Risco na rota eleva custos e alonga viagens

A principal explicação para a queda está na logística. Com o aumento do risco na região, companhias de navegação passaram a cobrar taxas adicionais e a adotar rotas mais longas, muitas vezes contornando o continente africano para evitar a passagem por Hormuz.

O desvio amplia o tempo de viagem e encarece o transporte.

Para analistas do mercado financeiro, episódios como o conflito no Irã evidenciam como fatores políticos passaram a influenciar diretamente o comércio de commodities.

A geopolítica voltou a ditar regras no fluxo global de mercadorias

Pedro Ros, CEO da Referência Capital

Segundo ele, tensões internacionais podem alterar rotas logísticas, pressionar custos de seguro e aumentar a volatilidade de preços, exigindo maior planejamento das empresas exportadoras.

Carnes sustentam parte do fluxo comercial

Mesmo com a queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico em março, alguns produtos mantiveram demanda e ajudaram a sustentar o fluxo comercial com a região. As carnes seguem como um dos principais pilares da pauta brasileira nesses mercados.

O frango permanece como o principal item exportado pelo Brasil ao Golfo, liderando as vendas externas tanto em 2025 quanto no início deste ano.

A carne bovina também mostrou resiliência no período, com avanço no valor exportado — movimento associado sobretudo à alta dos preços internacionais, e não necessariamente ao aumento do volume embarcado.

Importações de fertilizantes disparam com incertezas

A relação comercial entre Brasil e Golfo, no entanto, não se limita às exportações brasileiras. O país também depende de produtos vindos da região — especialmente fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a produção agrícola. Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais fornecedores desses produtos para o mercado brasileiro.

Diante das incertezas sobre a duração do conflito e das dificuldades no transporte marítimo, empresas brasileiras passaram a antecipar compras para garantir estoques.

Em março, as importações de fertilizantes nitrogenados vindos desses países cresceram mais de 265%, segundo dados do MDIC.

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