Miss Londrina 2025 morre aos 31 anos após infarto fulminante e comove redes sociais
Maiara Cristina de Lima Fiel foi socorrida pelo Samu na noite de sábado (18), mas não resistiu; ela se preparava para concurso em Cascavel (PR) em 29 de abril
23/04/2026 às 10:09por Redação Plox
23/04/2026 às 10:09
— por Redação Plox
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A morte de Maiara Cristina de Lima Fiel, de 31 anos, após um infarto fulminante, causou comoção nas redes sociais. Miss Londrina em 2025 e eleita 1ª Princesa Miss Sarandi no mesmo ano, ela se preparava para participar de um concurso de beleza marcado para 29 de abril, em Cascavel (PR).
Dona de um salão de beleza, Maiara morava em Sarandi, era casada e tinha um filho. Em publicações nas redes, familiares e amigos a descreveram como uma pessoa humilde e carismática.
Maiara foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por volta das 23h30 de sábado (18), mas não resistiu. A morte foi confirmada no domingo (19). Segundo a equipe médica, ela não tinha histórico de problemas de saúde.
Infarto em miss de 31 anos chama atenção para sintomas e prevenção
Foto: Reprodução redes sociais
Doenças circulatórias lideram causas de morte no Brasil
As doenças do aparelho circulatório — grupo que inclui infarto, AVC, hipertensão e outros problemas cardíacos — são a principal causa de mortes no país. Dados do Ministério da Saúde e do DataSUS apontam que elas respondem por cerca de 25% a 30% de todas as mortes no Brasil.
Por exigir atendimento imediato, o infarto demanda atenção especial: reconhecer sintomas a tempo pode ser decisivo para salvar vidas.
O que é infarto e por que ele acontece
O infarto do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando células de uma região do músculo do coração morrem após uma interrupção súbita e intensa do fluxo de sangue. Em geral, essa obstrução é provocada pela formação de um coágulo dentro de uma artéria coronária.
A principal causa é a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura no interior das artérias do coração. Com o tempo, essas placas podem crescer e reduzir a passagem de sangue.
Na maioria dos casos, o infarto ocorre quando uma dessas placas se rompe. Esse rompimento favorece a formação de um coágulo, que bloqueia a circulação e impede que o oxigênio chegue ao músculo cardíaco. A área afetada varia conforme a artéria obstruída, o que significa que diferentes regiões do coração podem ser atingidas.
Embora menos comuns, há outras formas de ocorrência. Em situações raras, o infarto pode ser provocado por uma contração intensa da artéria, reduzindo o fluxo sanguíneo, ou pelo deslocamento de um coágulo formado dentro do próprio coração, que acaba se alojando nos vasos coronários.
Por que os casos em jovens chamam atenção
Segundo um levantamento do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o total de casos de infartos registrados por mês no Brasil mais que dobrou nos últimos 15 anos. No mesmo período, a média mensal de internações por infarto subiu quase 160%. Entre jovens de até 30 anos, o crescimento foi 10% acima da média.
De acordo com especialistas, o avanço dos casos nessa faixa etária está associado ao estilo de vida moderno e a fatores de risco que se acumulam ao longo do tempo.
Principais fatores de risco na faixa dos 30 anos
Entre os principais fatores de risco associados ao infarto em pessoas mais jovens estão:
Sedentarismo, má alimentação, estresse, uso excessivo de álcool, uso excessivo de cigarro (incluindo o eletrônico), uso de anabolizantes, consumo de substâncias ilícitas, uso de anticoncepcional com alta dosagem de estrogênio, história familiar de infarto prematuro, hipercolesterolemia (níveis elevados de colesterol no sangue, especialmente o LDL), diabetes e hipertensão.
O cardiologista e membro do Conselho da Sociedade Brasileira de Cardiologia Gilson Feitosa-Filho destaca que o impacto da genética é mais pronunciado em idades mais jovens e diminui progressivamente com o envelhecimento.
Já o cardiologista do InCor Luiz Aparecido Bortolotto ressalta que mulheres jovens que usam anticoncepcional com alta dosagem de estrogênio têm mais chance de sofrer infarto, mesmo sem placas nas coronárias — e que o risco aumenta quando o uso é associado ao tabagismo.
O uso de anabolizantes também aparece como um fator de grande impacto: segundo o médico, eles podem elevar a chance de formação de coágulos ou trombos que ocluem as coronárias, inclusive na ausência de placas.
Sinais de infarto: sintomas clássicos e apresentações atípicas
Entre os sinais clássicos do infarto, estão:
Dor ou pressão no peito (podendo irradiar para braços, costas ou mandíbula), falta de ar, suor frio, náuseas ou vômitos e mal-estar, além de palpitações (coração disparado).
Mas os sinais nem sempre são tão claros — especialmente entre mulheres. Muitas não sentem dor no peito durante um infarto, o que pode dificultar o diagnóstico e atrasar o atendimento.
No gênero feminino, os sintomas podem ser mais sutis e, em um primeiro momento, não associados ao infarto. Entre eles estão enjoo, falta de ar, cansaço inexplicável, desconforto no peito, arritmia, tontura ou desmaio, além de dor nas costas, pescoço ou mandíbula, mesmo sem a dor típica no peito.
Um estudo publicado em 2018 na revista científica Circulation, da American Heart Association, apontou que 62% das mulheres analisadas apresentaram três ou mais sintomas associados ao infarto, independentemente de relatarem dor no peito. Entre os homens, o percentual foi de 55%.
Como reduzir o risco e fortalecer a prevenção
Especialistas listam medidas essenciais para reduzir os riscos de ataque cardíaco. Entre as recomendações estão a prática regular de exercícios físicos, dieta balanceada (com alimentos ricos em fibras, frutas e vegetais, além de consumo moderado de gorduras saudáveis), controle do estresse, exames de rotina (como colesterol, glicose e pressão arterial), manter-se agasalhado e evitar exposição prolongada ao frio, continuar tomando medicações regularmente, controlar pressão arterial, colesterol e glicemia, cessar o tabagismo, manter hidratação adequada e deixar a vacinação em dia.
O texto destaca, ainda, que infecções respiratórias ativam processos inflamatórios que podem agravar doenças cardíacas ou metabólicas, o que reforça a importância de vacinas como as da gripe, covid, vírus sincicial respiratório e herpes-zóster.
A cardiologista Cristina Milagres acrescenta que, no caso das mulheres, outros fatores precisam entrar na conta para um acompanhamento mais constante: maior incidência de doenças autoimunes, pressão alta ou diabetes gestacional e tratamentos oncológicos para câncer de mama. Segundo ela, pacientes que passaram por essas condições devem ficar ainda mais atentas.
O uso de aquecedores e banhos muito quentes também merece cuidado. Mudanças bruscas de temperatura podem causar picos de pressão e até arritmias, e a orientação é manter a temperatura corporal mais estável.
Frio pode aumentar o risco de infarto e AVC
As baixas temperaturas provocam alterações no organismo que podem elevar o risco de infarto em até 30%, segundo médicos ouvidos pelo g1. O risco de acidente vascular cerebral (AVC) também cresce 20%, principalmente quando as temperaturas ficam abaixo dos 14 ºC.
O frio causa vasoconstrição — estreitamento dos vasos sanguíneos — como forma de preservar o calor corporal. Isso aumenta a pressão arterial e exige mais esforço do coração, o que pode desencadear eventos graves, especialmente em pessoas com fatores de risco, explica o cardiologista da Clínica Sartor e pesquisador da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (Incor), Henrique Trombini Pinesi.