PLDO 2027 prevê que Correios podem seguir em piora e indica necessidade de aporte da União até 2027
Documento enviado ao Congresso avalia elevado prejuízo em 2026 mesmo com reestruturação; ministra Esther Dweck já havia citado possibilidade de capitalização prevista em contrato de empréstimo
23/04/2026 às 10:30por Redação Plox
23/04/2026 às 10:30
— por Redação Plox
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Os Correios podem continuar a enfrentar um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo uma tendência observada nos últimos dois anos, mesmo com o plano de reestruturação em vigor.
A avaliação consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional na semana passada.
Imagem ilustrativa.
Foto: Freepik.
Governo prevê prejuízo elevado em 2026
Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026
governo
No mesmo documento, o Executivo afirma ser provável que a estatal precise receber um aporte de capital da União até 2027 — possibilidade que já havia sido admitida pela ministra da Gestão, Esther Dweck.
Na prática, um aporte do governo nos Correios significa que o governo federal, por meio de transferência direta do Tesouro Nacional, repassa recursos para a empresa.
Contrato de empréstimo prevê aporte, diz ministra
Segundo a ministra informou em março, a medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões, firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025.
De acordo com ela, mesmo com um novo empréstimo, o aporte pode ajudar no processo de recuperação financeira da estatal. Por isso, afirmou, a medida “é parte da equação também”.
Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o espaço para os Correios captarem um novo empréstimo com garantias da União. Com a decisão, a empresa poderá obter mais R$ 8 bilhões em empréstimo.
Déficit das estatais é puxado pelos Correios
Com influência da situação dos Correios, as estatais federais registraram no ano passado um déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da história.
O cenário continuou negativo no primeiro bimestre deste ano, quando o resultado somou R$ 4,1 bilhões.
O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou nesta quarta-feira (22) que 95% do déficit das estatais não dependentes foi concentrado em quatro empresas, entre elas os Correios.
Para 2026, o governo estimou um aumento do déficit das estatais para R$ 6,75 bilhões. Para 2027, a equipe econômica projetou que o rombo pode ser maior: R$ 7,55 bilhões. Já para 2028, 2029 e 2030, as estimativas são, respectivamente, de R$ 6,1 bilhões, R$ 5,04 bilhões e R$ 5,71 bilhões.
O que entra no cálculo do Banco Central
Os números foram divulgados pelo Banco Central, que define “déficit” como a situação em que o gasto somado dessas estatais fica acima da receita gerada no período.
Na série usada pelo BC, não entram a Petrobras, a Eletrobras e empresas do setor financeiro, como bancos públicos. O Banco Central lembra que Petrobras e Eletrobras foram excluídas do cálculo das estatais federais em 2009, e informa que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia, sendo válida de 2002 em diante.
O levantamento inclui empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, metodologia amplamente utilizada em análises fiscais internacionais, enquanto o governo utiliza o conceito conhecido como “acima da linha” (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).