Saiba em quais cidades estão os ganhadores da Mega da Virada
Apostas de João Pessoa, Ponta Porã, Franco da Rocha e canais digitais da Caixa vão receber R$ 181,8 milhões cada após sorteio adiado para a manhã desta quinta-feira (1º/1)
A série "Betinho: No Fio da Navalha", disponível na Globoplay, destaca a trajetória do sociólogo Herbert de Souza, conhecido como Betinho, que dedicou sua vida à luta contra a fome e a desigualdade social no Brasil. No entanto, a mensagem de Betinho sobre a importância da indignação frente à dor alheia parece ter perdido força nos dias atuais.

Na série, uma cena marcante mostra Betinho confrontado com a realidade das pessoas em situação de rua, refletindo sobre como a sociedade perdeu a capacidade de se indignar com a miséria. A psicóloga Carol Pinheiro compartilha dessa visão, afirmando que "a desigualdade social é um comportamento normalizado que deveria nos chocar. Essa desigualdade foi aumentando ao longo do tempo, mas nem sempre foi assim…". Para ela, o individualismo crescente está na raiz desse problema, fazendo com que as pessoas aceitem o absurdo como norma.
A psicóloga aponta que o modelo capitalista contribui para a difusão do individualismo, incentivando a acumulação de bens e ignorando o bem-estar coletivo. "O mundo do capitalismo nos leva a só querer ter, acumular, conquistar, ignorando por completo tudo que acontece à nossa volta, com os outros, sempre olhando para o nosso mundinho, nosso próprio umbigo, com um individualismo crescente, que afasta as pessoas de todas as questões coletivas", explica Carol.
As redes sociais desempenham um papel crucial na normalização do absurdo, segundo Carol. A abundância de informação faz com que os usuários se tornem espectadores passivos de situações chocantes, sem se envolver emocionalmente. "Com as redes sociais, vivemos também a normalização do excesso de informação. A gente vai mudando de uma coisa chocante para a outra sem se envolver de verdade, apenas como espectadores passivos que não têm nada a ver com aquilo, o que leva, consequentemente, à banalização de tudo, inclusive do que deveria nos chocar", conclui a psicóloga.
Carol Pinheiro acredita que a chave para reverter essa tendência está na educação e na conscientização sobre nosso papel no mundo. Ela defende que "quando a gente se conscientiza de que eu e o outro somos um, e que eu tenho, sim, responsabilidade, pois tudo que eu faço na minha vida, todos os meus comportamentos estão interligados ao todo do qual eu faço parte, é possível manter a sensibilidade e não naturalizar o que é chocante".
A psicóloga também enfatiza a importância da solidariedade contínua e ampla, que ela define como "compreensão do nosso lugar no mundo". Para ela, é fundamental reconhecer que, enquanto houver sofrimento, todos estão de alguma forma impactados, reforçando a necessidade de compaixão e apoio mútuo.