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    Especialista dá dicas de como não cair em golpes de compra e venda de veículos

    Confira os golpes mais aplicados

    Por Alexsander Brandão

    23/06/2021 17h29 - Atualizado há 4 meses

    A compra de um veículo está entre os sonhos de consumo mais comum do brasileiro, de acordo com uma pesquisa do Serasa. No entanto, às vezes, a empolgação pode fazer com que esse sonho se torne um pesadelo. Os golpes aplicados nessas negociações são antigos, mas os estelionatários estão criando novas maneiras de cometer o crime com o uso da tecnologia do tempo moderno.

    Na maioria das vezes, dois ingredientes estão sempre presentes em um golpe, um comprador interessado em fazer um bom negócio, e vai com “muita sede ao pote”, e um bandido só esperando uma oportunidade para enganar a vítima.

    Com o advento da pandemia da covid-19, muitos comércios precisaram ficar com as portas fechadas, principalmente no início, e vários deles tiveram que se reinventar com vendas feitas pela internet, que já eram praticadas e se tornaram cada vez mais comum pelo fato das pessoas não poderem sair de casa e os clientes passaram a ficar mais tempo online.

    O cenário fez o e-commerce crescer no Brasil e no mundo e, consequentemente, os golpes aplicados também tiveram um aumento de registros nas delegacias. Confira abaixo quais são os mais aplicados e dicas de um especialista em defesa do consumidor para não ser vítima de um estelionatário:

    1) Veículo Fantasma (Sinal)
    O golpista anuncia o veículo com preços abaixo do mercado e condições muito atrativas. Entre as condições vantajosas, estão muitas prestações, taxa de juros baixa ou de zero por cento e entrada de 10 a 20 % do valor anunciado.

    Quando o comprador entra em contato, informam que o veículo se encontra em outro estado, mas que pode ser entregue em qualquer parte do Brasil sem custos. Fornecem fotos e vídeos do veículo e até o convidam para ver o automóvel pessoalmente.

    Nos próximos contatos, independentemente de o interessado ter optado ou não por ver o veículo de perto, os estelionatários informarão que receberam uma oferta de outro interessado e que estão prestes a fechar a venda daquele veículo.

    E que só podem segurar o negócio mediante um depósito ou transferência bancária (normalmente o valor da entrada). Desesperado para não perder o negócio da China, o comprador realiza o depósito ou transferência o mais rápido possível.

    Nunca mais o depositante conseguirá contato telefônico. E nunca mais terá notícias dos “vendedores”, do dinheiro e do veículo – que nunca existiu de fato.

    2) Veículo direto da fábrica
    Através de anúncios em classificados ou dizendo ser amigo, parente ou o próprio funcionário de uma montadora, os golpistas acenam com a possibilidade de vender veículos diretamente da fábrica, repassando o desconto geralmente concedido a funcionários, que varia de marca para marca e também de modelo para modelo. E que pode ser de 10 a 18%.

    Alguns golpistas convidam o interessado para ir até a fábrica, mas quando chegam ao local, a tal pessoa que iria mostrar o interior da fábrica já está largando serviço. Do lado de fora, o comparsa confirma a possibilidade de negócio e ainda mostra crachá falso, tabelas de preços e opções de compra, tudo em papel timbrado.

    Só uma regra não muda nas diferentes encenações. Em determinado momento, o falso funcionário diz que o pagamento total (para compra à vista) ou parcial (entrada, no caso de compra a prazo) deve ser adiantado e deve sair da conta do funcionário para a conta da fábrica para que o negócio seja válido. Passam o número de conta e…adivinhou?

    Isso mesmo: ao invés de carro zero, zero de carro. E “até nunca mais” ao prestativo funcionário e ao dinheiro.

    3) Veículo apreendido
    Este tipo de negócio envolve a possibilidade de comprar veículos com preços bem baixos, até importados apreendidos por autoridades e que irão a leilão por alguma razão (falências, financiamentos não pagos, excesso de multas e impostos atrasados).

    Em combinação com outro integrante da quadrilha, podem conseguir acesso a algum pátio onde se encontram os veículos e levar o cliente até ali para ver a mercadoria. E mais uma vez, número da conta do vigarista pra lá, dinheirinho do cliente pra cá. E o carro fica onde está mesmo.

    4) Consórcio contemplado
    Os estelionatários oferecem a venda de consórcios contemplados com condições muito chamativas, no qual o interessado teria direito a entrar num plano de consórcio já sorteado mediante uma taxa de transferência ou comissão para o dono da cota contemplada ou seu representante.

    O golpista diz que tem contatos com pessoas que farão com que a cota seja sorteada e que o sorteado do momento passou a vez, pois quer pegar o carro mais pra frente. O bandido diz que a vítima pode escolher até a cor e modelo do automóvel, podendo também optar pelo dinheiro ao invés do carro. Caso tenha interesse, são solicitados os dados pessoais do interessado para que se prepare o contrato.

    O pagamento da taxa de transferência da titularidade do consórcio deve ser feito. São mostrados os documentos que provam a realização do sorteio, momento em que a vítima costuma confiar e cai no golpe. Ela paga a taxa de transferência e o vendedor some.

    Foto: Alexsander Brandão

     

    5) Veículo consignado
    Lojas de carros sem idoneidade procuram anúncios de venda ou veículos com adesivos de “Vende-se”. Algum responsável pela loja faz contato com o dono do veículo e convence ele a deixá-lo em consignação, por ter alguns clientes interessados. E que podem vendê-lo mais rápido e por um valor maior.

    Logo que aparece algum interessado, a loja pega documentos destas pessoas e dá entrada em financiamentos, alienando o bem, ou seja, deixando-o como garantia. Depois diz aos interessados e ao dono que o crédito não foi aprovado e embolsa o dinheiro.

    Outro golpe possível é o estabelecimento vender o veículo e não o transferir para o novo comprador. Mas fica com o dinheiro e diz ao dono que o carro foi roubado da loja. Já o terceiro golpe que pode ser aplicado pela loja, é ela vender o veículo com documentos falsos e fazendo o uso de uma procuração de venda falsa. Em alguns casos, o veículo é vendido para desmanches clandestinos. Ai dizem que o carro foi roubado da loja ou simplesmente somem.

    6) Carro em nome de laranja
    O veículo é financiado em nome de laranjas, que recebem uma quantia em dinheiro para emprestar o nome. Nesse tipo de golpe, pode haver participação de funcionários de lojas e concessionárias. Em seguida, anunciam o automóvel por um valor muito abaixo da tabela Fipe e justificam que o preço baixo é porque o veículo foi comprado em outro estado, com um financiamento bancário dividido em parcelas que nunca serão pagas. Como o financiamento não vai ser pago mesmo, tudo o que for conseguido na venda é lucro para os estelionatários.

    O veículo não poderá ser transferido legalmente. Os golpistas geralmente dizem que o dono sabe e que isto não tem problema. Também falam que irão ajudar o novo dono a transferi-lo. O veículo poderá circular normalmente, pois tem documento, mas é intransferível.

    7) Carro de loteria
    O golpe consiste em um indivíduo que vai até uma empresa e aluga um carro por certo período de tempo. Depois, cria um documento falso com ajuda de um despachante clandestino e anuncia o veículo locado na internet.

    O comprador entra em contato, confere o documento em nome do vendedor e faz a transferência do dinheiro para o dito proprietário. “Quando chega o vencimento do contrato, a locadora bloqueia o carro e entra na justiça” diz Leitão. Para não correr esse risco, o indicado é procurar o histórico do carro.

    Confira algumas dicas do especialista:

    Ao entrar em contato com o vendedor, evite negociações com terceiros;
    Certifique-se de que o vendedor é o proprietário legítimo do veículo;
    Verifique pelo Renavam se o veículo tem multas e cobranças pendentes de IPVA;
    Desconfie de negociações em que o vendedor não possua ou não queira compartilhar os dados do veículo;
    Evite realizar qualquer tipo de depósito antecipado (pagamento de entrada) sem antes ver o veículo de perto, conferir se ele está em bom estado de conservação e com todos os acessórios anunciados;
    Fique atento e desconfie se o vendedor estiver muito apressado, nervoso ou impaciente para fechar o negócio. Não tenha receios de tirar qualquer dúvida sobre o veículo;
    Desconfie se o veículo estiver em perfeito estado com valores muito abaixo do mercado;
    Fique atento se o vendedor, após anunciar na OLX, alegar que ganhou o veículo em uma promoção/sorteio, que é ex-funcionário de uma empresa, ou se diz trabalhar nas montadoras de veículos e que, a partir disso, conseguiu o automóvel mais barato;
    Faça uma revisão com um mecânico de confiança antes de efetuar o pagamento; e
    Cuidado com anúncios que oferecem frete grátis para a entrega do veículo.

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