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A Novo Nordisk informou ter apresentado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um novo pedido para que a semaglutida seja oferecida pela rede pública. A proposta prevê desconto de 59% ao governo, mas ainda não representa aprovação nem distribuição imediata do medicamento.
Semaglutida volta à pauta do SUS com desconto de 59%; acesso ainda depende de avaliação
Foto: Freepik
Diferentemente de uma oferta ampla para pessoas com obesidade, o pedido é direcionado a um grupo específico: adultos a partir de 45 anos, com Índice de Massa Corporal entre 30 e 40, sem diabetes e com histórico comprovado de infarto. A empresa propõe o uso do Wegovy para reduzir o risco de novos eventos cardiovasculares nesses pacientes.
Em 2025, a Conitec recomendou que a semaglutida não fosse incorporada ao SUS para pessoas com obesidade grau II ou III, sem diabetes e com doença cardiovascular estabelecida. A decisão final foi publicada em setembro daquele ano.
Na avaliação, o colegiado apontou alto custo adicional em relação aos benefícios, impacto expressivo sobre o orçamento público e incertezas sobre o tempo necessário de tratamento. Mesmo após a empresa restringir a proposta a pacientes pós-infarto e oferecer desconto de 30%, o impacto acumulado em cinco anos foi estimado entre cerca de R$ 870 milhões e R$ 1,54 bilhão, conforme a duração considerada.
Em uma frente separada do novo pedido à Conitec, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a preparação de um estudo com 250 pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. O protocolo deverá envolver pessoas com obesidade grave, comprometimento cardíaco e que aguardam cirurgia bariátrica.
O estudo ainda precisa ser aprovado pelo comitê de ética da instituição. A previsão informada pelo ministro é de início ainda em 2026, com acompanhamento por alguns meses ou até um ano. O objetivo será avaliar se a medicação pode reduzir riscos clínicos, preparar pacientes para a cirurgia e, em alguns casos, diminuir a necessidade do procedimento.
Uma análise técnica produzida pelo próprio Grupo Hospitalar Conceição considerou favorável o uso condicionado e restrito da semaglutida como uma espécie de ponte até a cirurgia bariátrica em pacientes de alto risco. O documento, porém, concluiu que uma incorporação ampla permanece limitada pelo alto custo e pelo impacto orçamentário.
A Conitec deverá avaliar as evidências clínicas, a relação entre custo e benefício e o impacto financeiro da nova proposta. Somente após esse processo poderá recomendar ou não a incorporação, seguida de decisão do Ministério da Saúde. Até o momento, não há calendário divulgado para a análise, e a semaglutida não integra o tratamento nacional da obesidade oferecido pelo SUS.