Rússia e Ucrânia retomam negociações, mas Kremlin prevê impasse

Terceira rodada de conversas diretas entre delegações ocorre em Istambul; Moscou exige concessões consideradas inaceitáveis por Kiev

Por Plox

23/07/2025 16h49 - Atualizado há cerca de 1 mês

Representantes da Rússia e da Ucrânia voltaram a se reunir nesta quarta-feira (23) em Istambul, na Turquia, para mais uma tentativa de diálogo direto em busca de um cessar-fogo no conflito iniciado em fevereiro de 2022.


Imagem Foto: Reprodução


Apesar do reencontro entre os chefes das delegações — Vladimir Medinsky, pela Rússia, e Rustem Umerov, pela Ucrânia — o clima permaneceu pessimista. A reunião inicial foi realizada de forma presencial entre os dois representantes, embora a delegação ucraniana tenha afirmado que o encontro foi tripartite, com a presença do ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan.



A pressão externa também marcou o encontro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria estabelecido um prazo de 50 dias para que Moscou alcance um entendimento com Kiev, sob risco de sanções severas.


Ainda assim, o Kremlin descartou qualquer possibilidade de avanço significativo. Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, ressaltou que as diferenças entre as propostas das duas partes são \"diametralmente opostas\" e que o processo será \"muito complicado\".


Entre as exigências da Rússia, estão o controle de quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia —, além da desistência da Ucrânia em aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).



Do lado ucraniano, a postura permanece inflexível quanto à integridade territorial. Kiev afirma que não aceitará nenhuma negociação que envolva concessões e reforça que nunca reconhecerá a soberania russa sobre os territórios ocupados, incluindo a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.


Negociações anteriores entre as partes, também realizadas em Istambul nos meses de maio e junho, resultaram apenas em acordos pontuais, como a troca de prisioneiros e a devolução dos corpos de soldados mortos. Agora, a expectativa ucraniana é de que Moscou adote uma postura menos impositiva e abandone seus \"ultimatos\".



Enquanto os diplomatas negociam, o conflito no leste europeu continua com ataques e bombardeios por parte do exército russo, que mantém ofensivas ativas e dificulta qualquer avanço diplomático no campo das ideias.


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