Bolsonaro rebate PF e nega plano de fuga

Ex-presidente envia defesa ao STF, critica investigação e pede revisão da prisão domiciliar

Por Plox

23/08/2025 06h54 - Atualizado há 8 dias

No final da tarde desta sexta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua defesa, em resposta às acusações da Polícia Federal de que teria descumprido medidas cautelares impostas pela Corte. A manifestação ocorreu às 19h15, cerca de uma hora antes do encerramento do prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes.


Imagem Foto: Presidência


No documento entregue, a equipe de advogados de Bolsonaro solicita a revisão da prisão domiciliar a que ele está submetido desde o início de agosto, além de criticar duramente o trabalho da Polícia Federal, alegando que a investigação tem motivações políticas e visa à desmoralização pública do ex-presidente. Segundo a defesa, o inquérito é \"uma peça política com o objetivo de desmoralizar\".



A reação da defesa inclui protestos contra a divulgação de trocas de mensagens privadas entre Bolsonaro, seu filho Eduardo e o pastor Silas Malafaia, além de registros de movimentações financeiras da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os advogados afirmam que \"conversas privadas, movimentações financeiras e pagamentos a profissionais foram cuidadosamente transmitidos à imprensa, como se dados bancários não fossem protegidos por lei\".


\"Parece incrível, mas boa parte do relatório dedica-se a um disse-me-disse sem qualquer relevância para a investigação\", afirma a defesa de Bolsonaro.

A equipe jurídica também respondeu à acusação de que Bolsonaro teria planejado fugir para a Argentina. Um rascunho encontrado em seu celular, datado de fevereiro de 2024, continha um pedido de asilo ao presidente Javier Milei. No entanto, os advogados afirmam que o rascunho não pode ser considerado indício de fuga. \"O objetivo, convenhamos, foi alcançado: manchetes no Brasil e no exterior anunciando que o ex-presidente planejou uma fuga. Nada mais falso, mas nada mais impactante\", criticam.



Outro ponto destacado na defesa é o diálogo com Eduardo Bolsonaro. Afirmam que o contato entre pai e filho ocorreu antes da imposição das restrições por Moraes. \"A conversa com Eduardo termina quando Vossa Excelência proíbe o peticionário de falar com o filho, em mais uma demonstração de obediência às decisões desta Suprema Corte\", alegam os advogados.


A resposta foi uma exigência do relator do caso, Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal concluir um inquérito apontando o descumprimento das medidas cautelares impostas a Bolsonaro desde 18 de julho. O relatório da PF afirma que o ex-presidente utilizou formas alternativas para burlar as proibições judiciais.



O relatório da PF destaca que Bolsonaro ativou um novo celular em 25 de julho e utilizou o aplicativo WhatsApp para compartilhar mensagens com aliados, driblando a restrição de uso de redes sociais — tanto diretamente quanto por meio de terceiros. A investigação identificou quatro listas de transmissão utilizadas por Bolsonaro, com os nomes \"deputados\", \"senadores\", \"outros\" e \"outros 2\". Mensagens enviadas por ele chegavam rapidamente aos perfis públicos de apoiadores.


As mensagens extraídas dos aparelhos de Bolsonaro também revelam conversas privadas com membros da família e supostas articulações com aliados do ex-presidente norte-americano Donald Trump. A PF apontou ainda que o método de disseminação de conteúdo utilizado por Bolsonaro se assemelha ao das chamadas milícias digitais, com ampla difusão em alta velocidade, uso de múltiplos canais e o envolvimento de figuras públicas para conferir credibilidade às narrativas.



O ministro Moraes havia determinado que Bolsonaro explicasse, em até 48 horas, os motivos pelos quais descumpriu medidas cautelares, reiterou condutas ilegais e, supostamente, representou risco concreto de fuga. Caso o ministro considere insatisfatórias as respostas, poderá alterar o regime de prisão do ex-presidente, hoje em prisão domiciliar, para preventiva.



A situação de Bolsonaro segue sob forte tensão, com o julgamento da ação sobre tentativa de golpe de Estado agendado para o dia 2 de setembro, o que aumenta a pressão sobre o ex-presidente e seu entorno político.


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