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O Reinado do Rosário volta a ocupar as ruas de Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas, durante o mês de agosto, reunindo cortejos, tambores, cantos, guardas e personagens da corte em uma celebração religiosa e cultural que atravessa gerações.
Reinado de Itapecerica — registro realizado em agosto de 2026
Foto: Danilo Moreira/Divulgação
A tradição tem registros no município desde 1818, quando a cidade ainda era chamada de Vila de São Bento do Tamanduá.
Reconhecido pelo município como bem cultural imaterial, o Reinado é realizado em homenagem a Nossa Senhora do Rosário e também reverencia São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês.
A programação envolve a sede e distritos de Itapecerica, com passagens pelas ruas e concentração na Praça Santa Cruz.
Registro da reportagem: Anielo Antônio D'Alessandro - Capitão Mor do Reinado em Itapecerica
Foto: Prefeitura de Itapecerica/Divulgação
A manifestação preserva elementos das tradições afro-brasileiras construídas em torno das irmandades do Rosário.
Em junho de 2025, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou os Saberes do Rosário — Reinados, Congados e Congadas — como Patrimônio Cultural do Brasil, destacando a devoção, a ancestralidade e a diversidade de grupos que compõem essas celebrações em Minas Gerais, Goiás e São Paulo.
Em Itapecerica, a celebração reúne guardas com expressões próprias, como Moçambique, Congo, Vilão, Catupé e Marinheiros, também conhecidos como Marujadas.
Reinado de Itapecerica simboliza cultura e fé
Foto: Danilo Moreira/Divulgação
Os grupos se diferenciam pelos ritmos, instrumentos, fardas, cantos e formas de conduzir os rituais, que combinam religiosidade, música e memória comunitária.
O Capitão-Mor do Reinado do Rosário de Itapecerica, Anielo Antônio D'Alessandro, de 77 anos, relatou ao g1 que aprendeu a tradição com o pai e com antigos capitães.
Para ele, o Reinado está ligado à presença da população negra na formação histórica do município e à transmissão de conhecimentos entre famílias e integrantes das guardas.
Entre os momentos simbólicos da festa está a encenação da Abolição, incorporada ao Reinado em 1957, segundo a reportagem.
Reinado em Itapecerica simboliza fé e resistência
Foto: Danilo Moreira/Divulgação
A representação relaciona a memória da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, e personagens como Chico Rei à resistência negra e à preservação das referências africanas no Brasil.
O patrimônio cultural de Itapecerica registra o Reinado do Rosário como bem imaterial desde 2009.
Mais de dois séculos após os primeiros registros locais, a continuidade da festa depende da participação das comunidades, dos ensaios e do envolvimento de novas gerações nas guardas e rituais do Rosário.