Senado aprova PEC que limita decisões individuais em tribunais; veja voto de cada senador
Rodrigo Pacheco enfatizou que a medida não representa retaliação, mas sim um aprimoramento do processo legislativo
23/11/2023 às 11:34por Redação Plox
23/11/2023 às 11:34
— por Redação Plox
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O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (22), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2021. A medida, que objetiva limitar decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal (STF) e em outros tribunais superiores, obteve 52 votos favoráveis e 18 contrários, ultrapassando o mínimo de 49 votos necessários. Essa votação foi mantida em ambos os turnos.
Jefferson Rudy/Agência Senado
A PEC, de autoria do senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), proíbe a concessão de decisões monocráticas que suspendam a eficácia de leis. Tal decisão monocrática é aquela tomada individualmente por um magistrado, em oposição às decisões colegiadas, realizadas por um conjunto de ministros ou desembargadores. A proposta, agora, segue para análise da Câmara dos Deputados.
Durante a discussão em plenário, houve divergências entre os senadores. Alguns rejeitaram a ideia de que a medida seja uma retaliação ao STF, enquanto outros argumentaram que ela invadiria as atribuições do Judiciário. Em agradecimento, Oriovisto Guimarães destacou o debate democrático e o papel do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e do relator, Esperidião Amin (PP-SC), na discussão da matéria.
Rodrigo Pacheco enfatizou que a medida não representa retaliação, mas sim um aprimoramento do processo legislativo. Ele defendeu que decisões sobre a constitucionalidade de leis sancionadas devem ser tomadas pelo colegiado de 11 ministros do STF, e não por um único ministro. Esperidião Amin, ao apresentar seu parecer, reforçou essa visão.
Senadores como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, também se manifestaram. Bolsonaro defendeu a mudança como forma de aperfeiçoar o Judiciário e agilizar a análise de processos, enquanto Wagner, embora tenha informado que o governo não possuía uma posição definida, votou favoravelmente.
Por outro lado, senadores como Fabiano Contarato (PT-ES) e Humberto Costa (PT-PE) expressaram oposição à PEC. Contarato apontou que a medida restringe a atuação do STF, e Costa a considerou inoportuna, ressaltando o papel do STF na garantia da democracia e mencionando recentes ataques à instituição.
Além disso, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) argumentou que a PEC é desnecessária, visto que o STF já adotou prazos para pedidos de vista e análise colegiada de decisões individuais. Emendas ao texto da PEC também foram feitas, como a retirada da referência a atos normativos com efeitos "erga omnes" e a inclusão de uma emenda de Rodrigo Pacheco sobre julgamentos de inconstitucionalidade de leis.
A PEC estabelece ainda regras específicas para pedidos formulados durante o recesso do Judiciário, processos no STF que afetem políticas públicas ou criem despesas, e decisões cautelares em ações de inconstitucionalidade de lei. A PEC 8/2021 retoma o texto da PEC 82/2019, também de Oriovisto Guimarães, rejeitada pelo Plenário do Senado em 2019. Na justificação da nova proposta, Oriovisto apresentou dados de um estudo sobre decisões cautelares monocráticas no STF.
Essa aprovação no Senado marca um passo significativo na alteração do processo de tomada de decisões judiciais no Brasil, apontando para mudanças na relação entre os poderes Legislativo e Judiciário. Saiba como votou cada senador
1. Alan Rick - União - sim 2. Alessandro Vieira - MDB - sim 3. Ana Paula Lobato - PSB - ausente 4. Angelo Coronel - PSD - sim 5. Astronauta Marcos Pontes - PL - sim 6. Augusta Brito - PT - não 7. Beto Faro - PT - não 8. Carlos Fávaro - PSD - não 9. Carlos Portinho - PL - sim 10. Carlos Viana - Podemos - sim 11. Chico Rodrigues - PSB - sim 12. Cid Gomes - PDT - ausente 13. Ciro Nogueira - PP - sim 14. Cleitinho - Republicanos - sim 15. Confúcio Moura - MDB - não 16. Damares Alves - Republicanos - sim 17. Daniella Ribeiro - PSD - sim 18. Davi Alcolumbre - União - sim 19. Dr. Hiran - PP - sim 20. Eduardo Braga - MDB - ausente 21. Eduardo Girão - Novo - sim 22. Eduardo Gomes - PL - sim 23. Efraim Filho - União - sim 24. Eliziane Gama - PSD - não 25. Esperidião Amin - PP - sim 26. Fabiano Contarato - PT - não 27. Fernando Dueire - MDB - sim 28. Fernando Farias - MDB - não 29. Flávio Arns - PSB - sim 30. Flávio Bolsonaro - PL 31. Giordano - MDB - sim 32. Hamilton Mourão - Republicanos - sim 33. Humberto Costa - PT - não 34. Irajá - PSD - ausente 35. Ivete da Silveira - MDB - sim 36. Izalci Lucas - PSDB - sim 37. Jader Barbalho - MDB - ausente 38. Jaime Bagattoli - PL - sim 39. Jaques Wagner - PT - sim 40. Jayme Campos - União - sim 41. Jorge Kajuru - PSB - não 42. Jorge Seif - PL - sim 43. Jussara Lima - PSD - não 44. Laércio Oliveira - PP - sim 45. Leila Barros - PDT - não 46. Lucas Barreto - PSD - sim 47. Luis Carlos Heinze - PP - sim 48. Magno Malta - PL - sim 49. Mara Gabrilli - PSD - sim 50. Marcelo Castro - MDB - não 51. Marcio Bittar - União - sim 52. Marcos do Val - Podemos - sim 53. Marcos Rogério - PL - sim 54. Mecias de Jesus - Republicanos - ausente 55. Nelsinho Trad - PSD - sim 56. Omar Aziz - PSD - ausente 57. Oriovisto Guimarães - Podemos - sim 58. Otto Alencar - PSD - sim 59. Paulo Paim - PT - não 60. Plínio Valério - PSDB