Menino autista emociona ao viralizar em vídeo temendo viver sem a mãe no futuro
Miguel Henrique, de 9 anos, conquistou as redes sociais ao expressar seu medo de não ter a mãe ao crescer. Especialistas explicam como crianças neuroatípicas lidam com emoções intensas
23/11/2024 às 12:28por Redação Plox
23/11/2024 às 12:28
— por Redação Plox
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A princípio, ele tentou dizer que não estava chorando, que era apenas suor. Mas os olhos em lágrimas causaram outras lagrimas nos que veem a cena. Sentindo-se frágil, ele expõe seu medo e aflição ao se dar conta que terá que viver um dia como adulto, mas sem sua mãe.
Um vídeo de Miguel Henrique, um menino de 9 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), emocionou milhares de pessoas ao viralizar nas redes sociais. O morador de Brasília foi filmado conversando com sua mãe, Vitória Neves, sobre o medo de não conseguir viver sem ela quando se tornar adulto. Com lágrimas nos olhos, Miguel tentou disfarçar dizendo: "É só suor".
No vídeo, ele explica: "É por causa que quando eu for adulto eu não vou conseguir viver sem minha mãe".
Emoções intensas e desafios do TEA
De acordo com Vitória, mãe do menino e influenciadora digital, Miguel sempre demonstrou ser muito sensível. Ela conta que ele se emociona facilmente, inclusive ao falar sobre crescer, ter que trabalhar ou assumir responsabilidades como pagar contas.
Foto: reprodução
"Ele chorou até mesmo quando aprendeu a ler, no meio da sala de aula", relata Vitória.
Ingrid Neto, pedagoga e doutora em psicologia pela Universidade Católica de Brasília, esclarece que as emoções são experiências subjetivas e imediatas que podem ser mais intensas em pessoas neuroatípicas.
"Para indivíduos neurodivergentes, há relatos na literatura de maior dificuldade na regulação e manejo emocional", explica. Segundo a especialista, características como rigidez cognitiva e impulsividade podem agravar essas dificuldades.
O impacto emocional nas famílias
No vídeo, Miguel recordava a história de um amigo que perdeu a mãe prematuramente devido a um câncer. A memória gerou sua reflexão sobre a ausência da própria mãe no futuro, o que o deixou visivelmente abalado. Vitória admite que essa preocupação também a afeta.
"Um dos maiores desafios é aceitar que estou criando ele para o mundo e não para mim. Saber que não vou estar sempre aqui para ajudá-lo ou protegê-lo é muito difícil", desabafa.
A professora Ingrid Neto destaca que essa angústia também afeta os pais. "Pensar na própria ausência pode intensificar o sofrimento psíquico, especialmente pela possibilidade de deixar o filho desamparado", pontua. Ela defende que tanto crianças neurodivergentes quanto seus familiares precisam de suporte emocional.
Estratégias para lidar com o medo e a perda
Ingrid sugere algumas abordagens para ajudar tanto crianças quanto adultos a lidarem melhor com situações que despertam emoções intensas:
Focar no presente: Reduzir a vulnerabilidade emocional ao valorizar momentos positivos com a mãe no presente, em vez de se preocupar excessivamente com o futuro.
Ressignificar a morte: Enxergá-la como parte do ciclo da vida, o que pode suavizar emoções negativas e favorecer uma percepção mais adaptativa.
Essas estratégias podem ajudar tanto crianças neurodivergentes quanto suas famílias a vivenciarem o momento presente de maneira mais leve, promovendo saúde mental e bem-estar.