Alta infestação de Aedes aegypti em Minas liga alerta para dengue, zika e chikungunya; explica especialista

LIRAa aponta que mais de 80% dos municípios mineiros estão em alerta ou com risco elevado para arboviroses; Plano Estadual de Contingência orienta ações e uso de tecnologia no Vale do Aço

24/01/2026 às 16:24 por Redação Plox

A presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya, continua sendo um dos principais desafios da saúde pública em Minas Gerais. Levantamentos recentes mostram que, embora parte dos municípios apresente índices considerados satisfatórios, ainda é expressivo o número de cidades em situação de alerta ou de risco elevado para transmissão das arboviroses — doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos.


O principal instrumento utilizado para medir a infestação é o LIRAa — Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti, metodologia reconhecida nacionalmente e que orienta as ações de vigilância e controle em todo o estado.

Durante o período de chuvas o cuidado  deve ser redobrado.

Durante o período de chuvas o cuidado deve ser redobrado.

Foto: Divulgação / Fiocruz.

Como o LIRAa mede a infestação do Aedes aegypti

O LIRAa é uma pesquisa amostral realizada por agentes de vigilância em saúde, que percorrem residências e áreas públicas em busca de locais com água parada, ambiente ideal para a reprodução do mosquito. A partir da coleta de amostras e do registro de larvas e pupas, são calculados indicadores entomológicos que orientam as estratégias de combate. A enfermeira referência em arboviroses, Micheli Egydio explica sobre o índice.



 Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Entre os principais resultados gerados pelo sistema estão:

Índice de Infestação Predial (IIP): percentual de imóveis com focos do mosquito.

Índice de Breteau: percentual de recipientes positivos para larvas.

Tipo de recipiente mais comum com água acumulada, o que ajuda a direcionar campanhas educativas e ações específicas nos territórios.

Situação dos municípios mineiros em 2024 e 2023

No primeiro levantamento de 2024, realizado em janeiro, apenas cerca de 17% dos municípios mineiros apresentaram índice satisfatório (IIP ≤ 0,9). Mais de 45% foram classificados em situação de alerta e quase 38% em risco elevado de transmissão.


Em 2023, nos quatro ciclos do LIRAa, a participação dos municípios nas diferentes faixas de risco variou ao longo do ano. O cenário foi considerado especialmente preocupante no início do ano passado, quando mais de 38% das cidades estavam em risco elevado no levantamento de janeiro de 2023.


Esses índices não apenas revelam a presença de criadouros, mas também funcionam como um sinal antecipado para possível aumento de casos de arboviroses, caso as ações de controle e prevenção não sejam intensificadas.

Plano de contingência e ações de vigilância em Minas

Diante desse quadro, Minas Gerais segue as diretrizes do Plano Estadual de Contingência para arboviroses, que articula os diferentes níveis de gestão da saúde para ampliar a vigilância entomológica e reforçar o controle do Aedes aegypti. O documento orienta desde a organização das equipes até as estratégias de comunicação com a população.



Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses. 

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

No Vale do Aço, a Superintendência de Saúde de Coronel Fabriciano atua alinhada a esse plano, com ações de rotina e intensificação em períodos críticos, em parceria com os municípios da região.

Tecnologia a favor do combate ao Aedes

Além de mutirões, visitas domiciliares e outras medidas tradicionais, novas tecnologias vêm sendo incorporadas à rotina das equipes de saúde. Entre elas estão ferramentas digitais de georreferenciamento de focos e plataformas de monitoramento em tempo real, que permitem identificar com mais rapidez as áreas de maior risco.



 Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

O uso de dados em tempo real ajuda a direcionar recursos, equipes e campanhas exatamente para os locais onde a infestação é mais crítica.

Monitoramento constante de índices e casos

Especialistas em saúde pública ressaltam que o acompanhamento contínuo dos índices do LIRAa, associado aos dados epidemiológicos de casos suspeitos e confirmados, é fundamental para antecipar surtos e planejar respostas mais efetivas.


A Secretaria de Saúde de Minas Gerais divulga periodicamente esses dados para municípios e gestores, permitindo que as equipes locais ajustem rapidamente suas estratégias de combate conforme a evolução dos indicadores.

Papel da população no controle do mosquito

O combate ao Aedes aegypti tem forte componente comunitário, já que o mosquito se reproduz principalmente em ambientes domésticos. Por isso, especialistas e autoridades de saúde reforçam a necessidade de participação ativa da população em medidas simples, mas decisivas para a redução dos criadouros.



 Micheli Egydio - Enfermeira Referência em arboviroses.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil. 

Entre as principais recomendações estão:


• Eliminar água parada em vasos, calhas, pratos de plantas e outros recipientes.

• Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios sempre bem vedados.

• Limpar e destapar ralos com frequência.

• Descartar corretamente lixo e materiais que possam acumular água, como garrafas, pneus e latas.


As denúncias de focos ou irregularidades podem ser encaminhadas à Superintendência de Saúde de Coronel Fabriciano ou aos canais oficiais da Prefeitura, que direcionam as equipes de vigilância para verificação e providências.

Alerta mantido para períodos de calor e chuva

Com índices que ainda mantêm muitos municípios em faixa de alerta ou risco e com a aproximação dos períodos de maior atividade do mosquito — marcados por calor e chuva —, a Superintendência de Saúde reforça a necessidade de vigilância redobrada.


A colaboração entre poder público e população é apontada como decisiva para reduzir a circulação do Aedes aegypti e minimizar os impactos das arboviroses em Minas Gerais.

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