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A presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya, continua sendo um dos principais desafios da saúde pública em Minas Gerais. Levantamentos recentes mostram que, embora parte dos municípios apresente índices considerados satisfatórios, ainda é expressivo o número de cidades em situação de alerta ou de risco elevado para transmissão das arboviroses — doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos.
O principal instrumento utilizado para medir a infestação é o LIRAa — Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti, metodologia reconhecida nacionalmente e que orienta as ações de vigilância e controle em todo o estado.
Durante o período de chuvas o cuidado deve ser redobrado.
Foto: Divulgação / Fiocruz.
Como o LIRAa mede a infestação do Aedes aegypti
O LIRAa é uma pesquisa amostral realizada por agentes de vigilância em saúde, que percorrem residências e áreas públicas em busca de locais com água parada, ambiente ideal para a reprodução do mosquito. A partir da coleta de amostras e do registro de larvas e pupas, são calculados indicadores entomológicos que orientam as estratégias de combate. A enfermeira referência em arboviroses, Micheli Egydio explica sobre o índice.
Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses.
Entre os principais resultados gerados pelo sistema estão:
Índice de Infestação Predial (IIP): percentual de imóveis com focos do mosquito.
Índice de Breteau: percentual de recipientes positivos para larvas.
Tipo de recipiente mais comum com água acumulada, o que ajuda a direcionar campanhas educativas e ações específicas nos territórios.
No primeiro levantamento de 2024, realizado em janeiro, apenas cerca de 17% dos municípios mineiros apresentaram índice satisfatório (IIP ≤ 0,9). Mais de 45% foram classificados em situação de alerta e quase 38% em risco elevado de transmissão.
Em 2023, nos quatro ciclos do LIRAa, a participação dos municípios nas diferentes faixas de risco variou ao longo do ano. O cenário foi considerado especialmente preocupante no início do ano passado, quando mais de 38% das cidades estavam em risco elevado no levantamento de janeiro de 2023.
Esses índices não apenas revelam a presença de criadouros, mas também funcionam como um sinal antecipado para possível aumento de casos de arboviroses, caso as ações de controle e prevenção não sejam intensificadas.
Diante desse quadro, Minas Gerais segue as diretrizes do Plano Estadual de Contingência para arboviroses, que articula os diferentes níveis de gestão da saúde para ampliar a vigilância entomológica e reforçar o controle do Aedes aegypti. O documento orienta desde a organização das equipes até as estratégias de comunicação com a população.
Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses.
No Vale do Aço, a Superintendência de Saúde de Coronel Fabriciano atua alinhada a esse plano, com ações de rotina e intensificação em períodos críticos, em parceria com os municípios da região.
Além de mutirões, visitas domiciliares e outras medidas tradicionais, novas tecnologias vêm sendo incorporadas à rotina das equipes de saúde. Entre elas estão ferramentas digitais de georreferenciamento de focos e plataformas de monitoramento em tempo real, que permitem identificar com mais rapidez as áreas de maior risco.
Micheli Egydio - Enfermeira referência em arboviroses.
O uso de dados em tempo real ajuda a direcionar recursos, equipes e campanhas exatamente para os locais onde a infestação é mais crítica.
Especialistas em saúde pública ressaltam que o acompanhamento contínuo dos índices do LIRAa, associado aos dados epidemiológicos de casos suspeitos e confirmados, é fundamental para antecipar surtos e planejar respostas mais efetivas.
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais divulga periodicamente esses dados para municípios e gestores, permitindo que as equipes locais ajustem rapidamente suas estratégias de combate conforme a evolução dos indicadores.
O combate ao Aedes aegypti tem forte componente comunitário, já que o mosquito se reproduz principalmente em ambientes domésticos. Por isso, especialistas e autoridades de saúde reforçam a necessidade de participação ativa da população em medidas simples, mas decisivas para a redução dos criadouros.
Micheli Egydio - Enfermeira Referência em arboviroses.
Entre as principais recomendações estão:
• Eliminar água parada em vasos, calhas, pratos de plantas e outros recipientes.
• Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios sempre bem vedados.
• Limpar e destapar ralos com frequência.
• Descartar corretamente lixo e materiais que possam acumular água, como garrafas, pneus e latas.
As denúncias de focos ou irregularidades podem ser encaminhadas à Superintendência de Saúde de Coronel Fabriciano ou aos canais oficiais da Prefeitura, que direcionam as equipes de vigilância para verificação e providências.
Com índices que ainda mantêm muitos municípios em faixa de alerta ou risco e com a aproximação dos períodos de maior atividade do mosquito — marcados por calor e chuva —, a Superintendência de Saúde reforça a necessidade de vigilância redobrada.
A colaboração entre poder público e população é apontada como decisiva para reduzir a circulação do Aedes aegypti e minimizar os impactos das arboviroses em Minas Gerais.