Enfermeiro é morto por agente federal em Minneapolis e crise com o ICE se agrava em Minnesota
Morte de Alex Pretti durante patrulha do DHS, em meio a operações do ICE, gera críticas de autoridades locais, reação de Trump e protestos que paralisam Minnesota
24/01/2026 às 21:49por Redação Plox
24/01/2026 às 21:49
— por Redação Plox
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Um homem de 37 anos morreu na manhã deste sábado (24) em Minneapolis, no estado de Minnesota, após ser baleado por um agente federal de imigração dos Estados Unidos durante uma patrulha do Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo as autoridades, ele morreu no local.
Homem é assassinado a tiros nos Estados Unidos
Foto: Redes sociais
O caso ocorre em meio a um ambiente de forte tensão em Minnesota, diante da intensificação das ações federais de imigração. As operações envolvem agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e outras forças do DHS. Duas semanas antes, uma cidadã americana também havia sido morta a tiros em outra ação federal no estado.
Versões conflitantes sobre a abordagem
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o agente abriu fogo em legítima defesa depois que o homem, supostamente armado, se aproximou da patrulha de fronteira. A versão oficial é de que o alvo da ação representava uma ameaça iminente.
O jornal The New York Times, no entanto, informou que imagens analisadas quadro a quadro mostram a vítima segurando um telefone no momento em que é derrubada ao chão e baleada pelos agentes. As cenas registradas por testemunhas indicam que, ao menos, há dúvidas sobre a dinâmica exata da abordagem.
A vítima foi identificada como Alex Pretti, segundo a agência Associated Press e o próprio New York Times, com base no relato de pais e pessoas próximas. Pretti era enfermeiro e trabalhava em uma unidade de terapia intensiva.
De acordo com a Associated Press, o agente responsável pelos disparos tinha oito anos de experiência na Patrulha de Fronteira. Testemunhas ouvidas pelo jornal local “The Minnesota Star Tribune” relataram que o homem foi atingido várias vezes no peito.
Em nota oficial, a polícia de Minneapolis afirmou que o morto era cidadão americano, morador da cidade e possuía permissão para porte de arma. As autoridades de segurança disseram ainda que ele carregava uma pistola e dois carregadores.
Autoridades locais criticam ações federais
Em declaração a jornalistas, o governador de Minnesota, Tim Walz, criticou de forma contundente a atuação dos agentes federais no estado, em meio ao aumento das tensões. Mais cedo, ele já havia classificado o episódio como um “ataque atroz”.
Eles mataram um homem, criaram caos, derrubaram manifestantes, jogaram gás de forma indiscriminada e depois fomos deixados para limpar a bagunça.Tim Walz
Walz afirmou ter feito duas ligações para autoridades da Casa Branca após o tiroteio. Em uma delas, com o chefe de gabinete do então presidente Donald Trump, ele pediu que os agentes fossem retirados da região. Na segunda ligação, disse ter reforçado que o estado pretende investigar o episódio.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também questionou a operação que terminou com a morte. Em pronunciamento, ele relatou ter assistido a um vídeo em que mais de seis agentes mascarados aparecem agredindo um homem e disparando contra ele até a morte, e cobrou o fim das ações federais na cidade.
Trump defende agentes e confronta autoridades locais
Donald Trump reagiu nas redes sociais defendendo a atuação dos agentes federais e acusando autoridades locais de “incitar a insurreição”. Ele divulgou a imagem de uma pistola calibre 9 milímetros que, segundo a polícia, estaria com o homem morto neste sábado, e exaltou o trabalho do ICE.
Em sua publicação, o presidente americano afirmou que milhares de imigrantes em situação irregular, muitos deles classificados como criminosos violentos, teriam sido presos e retirados de Minnesota pelas ações do serviço de imigração.
Imagens do momento dos disparos mostram ao menos sete agentes tentando imobilizar o homem. Ele é derrubado no chão e, em seguida, um dos agentes faz os disparos à queima-roupa. Uma ambulância deixa a área após testemunhas presenciarem manobras de reanimação cardiopulmonar na vítima.
Protestos e impacto na rotina da cidade
Os tiros disparados pelos agentes provocaram confrontos entre forças de segurança e centenas de manifestantes, que protestaram contra a forma de atuação dos agentes federais de imigração. A tensão nas ruas aumentou rapidamente, com críticas à presença e aos métodos do ICE em Minneapolis.
Como consequência direta do clima de conflito, a NBA decidiu adiar a partida entre Golden State Warriors e Minnesota Timberwolves, que seria disputada neste domingo (25) no Target Center, na região central da cidade.
Histórico recente de violência e operações do ICE
O estado de Minnesota vive uma escalada de conflitos desde a intensificação das operações do ICE. Em 7 de janeiro, a cidadã americana Renee Good, de 37 anos, foi morta a tiros disparados por um agente do serviço de imigração em outra ação no estado.
O episódio aprofundou o confronto entre o governo Trump e Minnesota, envolvendo tanto os líderes políticos locais quanto parte expressiva da população, que vota majoritariamente no Partido Democrata. Desde então, as operações federais e sua condução têm sido alvo de críticas constantes.
O embate ganhou um novo capítulo com a detenção de pelo menos quatro crianças, uma delas supostamente usada como “isca” para tentar alcançar familiares. O caso ocorreu na terça-feira (20), mas só se tornou público na quinta (22), alimentando ainda mais a indignação pública.
Reação da Casa Branca e mobilização nas ruas
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, foi a Minneapolis na quinta-feira (22) e se apressou em defender o ICE, manifestando apoio aos agentes federais envolvidos nas operações de imigração no estado. Desde a morte de Renee Good, Vance e outros integrantes da Casa Branca têm reiterado apoio às ações do serviço de imigração.
Na sexta-feira (23), moradores de Minneapolis e de outras cidades de Minnesota saíram às ruas para protestar contra o que classificam como truculência do ICE e excesso de força nas operações federais. Restaurantes, lojas e instituições culturais fecharam as portas em adesão às manifestações.
De acordo com os organizadores, mais de 700 estabelecimentos em todo o estado suspenderam atividades no dia dos protestos. A mobilização se estendeu para além de Minnesota, com atos em outras cidades dos Estados Unidos em solidariedade às vítimas das ações federais de imigração.