Bebê nasce em Londres após mãe receber transplante de útero experimental de doadora falecida
Grace Bell se tornou a primeira mulher no Reino Unido a ter um filho após receber o órgão, em procedimento ligado ao estudo INSITU, que prevê dez transplantes
24/02/2026 às 09:02por Redação Plox
24/02/2026 às 09:02
— por Redação Plox
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Um bebê nasceu em Londres após a mãe receber um transplante de útero, em um procedimento considerado experimental. A paciente, identificada como Grace Bell, nasceu sem o órgão e se tornou a primeira mulher no país a ter um filho após receber o útero de uma doadora falecida.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo estudo, uma em cada cinco mil mulheres no Reino Unido nasce sem um útero viável e, por isso, é incapaz de conceber e gestar um filho. O nascimento do bebê saudável representa o resultado de cerca de 25 anos de pesquisas dedicadas a esse tipo de cirurgia.
Embora o transplante de órgãos já faça parte da rotina médica, o transplante de útero ainda é classificado como um procedimento em fase experimental. A expectativa dos pesquisadores é que o sucesso do nascimento ajude a transformar essa realidade e a ampliar o acesso ao tratamento no futuro.
Grace nasceu sem útero e após transplante pode dar à luz
Foto: Divulgação/Hospital Queen Charlotte's and Chelsea
Transplante faz parte de estudo investigativo no Reino Unido
O transplante foi realizado dentro do Estudo Investigativo do Reino Unido sobre Transplante de Útero (INSITU), um programa de pesquisa aprovado pelas autoridades de saúde do país. O protocolo prevê a realização de dez transplantes com úteros de doadoras falecidas, e o caso de Grace é o primeiro deles.
Ao contrário de outros órgãos, o útero não integra o registro convencional de doadores do NHS, o Serviço Nacional de Saúde britânico. Em cada caso, é necessário um consentimento adicional da família da doadora, além da autorização já dada para a doação de órgãos tradicionais.
No caso que possibilitou a gestação de Grace, a família da doadora aceitou participar do programa após já ter concordado com a doação de outros órgãos. Em nota, os pais da jovem relataram sentir orgulho pelo legado deixado pela filha.
Cirurgia, fertilização e acompanhamento da gestação
O implante do útero durou pouco menos de sete horas e foi realizado em 2025. Depois da cirurgia, Grace passou por um processo de fertilização in vitro e, em seguida, por transferência de embrião em uma clínica de fertilidade em Londres.
A gestação foi acompanhada de perto por equipes especializadas até o parto. O bebê nasceu saudável, em um desfecho considerado bem-sucedido pelos médicos e que trouxe novas perspectivas a uma família que tinha poucas chances de viver uma gravidez desse tipo.
Para a equipe responsável pelo estudo, o caso representa um marco em uma linha de pesquisa que já se estende por mais de duas décadas e meia. Segundo os pesquisadores, o transplante de útero é hoje o único tratamento capaz de permitir que mulheres sem o órgão possam gestar e dar à luz um filho biológico, somando-se a alternativas já existentes, como adoção ou barriga de aluguel.
Marco para mulheres que nasceram sem útero
A co-líder da equipe, a cirurgiã Isabel Quiroga, destaca o impacto do resultado para mulheres que nasceram sem o órgão e desejam ter filhos.
Este é um marco importantíssimo, que dá mais esperança às mulheres que não têm útero e desejam formar uma família. Este é o único tratamento que lhes permite gestar e dar à luz o próprio filho, oferecendo mais uma opção além da adoção ou da barriga de aluguel, diz.
Isabel Quiroga
O caso de Grace reforça o potencial da técnica para ampliar as possibilidades reprodutivas de mulheres que, até agora, contavam apenas com caminhos alternativos para construir uma família. Embora ainda seja experimental, a experiência abre espaço para novos estudos e para a discussão sobre a incorporação futura desse tipo de transplante na prática clínica.