Dólar abre em leve alta a R$ 5,1720 e mercado reage a tarifa extra dos EUA

Ibovespa inicia os negócios às 10h, enquanto investidores acompanham incertezas na política comercial americana, falas do Fed e dados de empregos; no Brasil, BC divulga déficit de US$ 8,4 bilhões nas transações correntes em janeiro

24/02/2026 às 09:37 por Redação Plox

O dólar abriu em leve alta nesta terça-feira (24), com valorização de 0,06% pouco depois das 9h, negociado a R$ 5,1720. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia os negócios às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

Dólar, Ibovespa e desempenho no ano

No câmbio, o movimento de hoje se soma a um cenário de desvalorização da moeda americana no acumulado recente. Na semana, o dólar registra queda de 0,14%. No mês, recua 1,51%, e no ano, acumula baixa de 5,83% frente ao real.

Na renda variável, o Ibovespa opera em patamar mais positivo no horizonte mais longo, apesar da correção recente. O índice cai 0,88% na semana, mas sobe 4,13% no mês e acumula forte alta de 17,21% em 2026.

Tarifa adicional de 10% entra em vigor nos EUA

Entrou em vigor nesta terça-feira, nos Estados Unidos, uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados que não estejam cobertos por isenções. A cobrança, anunciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), segue o percentual inicialmente divulgado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20) e não os 15% mencionados posteriormente.

A nova tarifa foi adotada após a Suprema Corte derrubar as taxas anteriores, que haviam sido justificadas por motivos de emergência. Na sequência da decisão, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% e, no sábado (21), chegou a dizer que elevaria o percentual para 15%.

Em comunicado voltado a “fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026”, a CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações passam a ser submetidas a uma tarifa extra de 10%. A medida aumenta a incerteza em torno da política comercial americana, sem esclarecer por que prevaleceu a alíquota menor.

Em meio às dúvidas geradas pelas novas tarifas, Trump fará na noite de hoje o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h (horário de Brasília), ocasião em que apresenta ao Congresso um balanço de governo e as prioridades para o ano.

Indicadores dos EUA no radar dos investidores

Além da mudança tarifária, o mercado acompanha discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, em busca de sinais sobre a condução da política monetária americana.

Também está no foco a divulgação da pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos. A leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.

Transações correntes e balanço de pagamentos do Brasil

No Brasil, o Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos tiveram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, resultado pior do que o esperado por economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam rombo de US$ 6,4 bilhões.

Apesar da frustração frente às expectativas, o dado representa melhora em relação ao déficit de US$ 9,8 bilhões registrado em janeiro de 2025. Segundo o BC, a redução do rombo foi explicada principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela queda de US$ 581 milhões no déficit da conta de serviços.

Esses fatores positivos foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que engloba pagamentos de juros e lucros ao exterior.

No acumulado dos 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025, o rombo era de US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB) e, em janeiro de 2025, de US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB). O dado aponta para um ajuste gradual nas contas externas brasileiras.

Balança comercial e fluxo de comércio exterior

A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, bem acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025.

As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 21,8 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas externas recuaram 1,2%, ao passo que as compras do exterior caíram 10,0%, contribuindo para o aumento do saldo positivo.

Cenário político: foco no Banco Master

No campo político, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ouve nesta terça-feira o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly. A audiência ocorre em reunião do grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre o Banco Master, ampliando a atenção dos investidores ao ambiente regulatório e ao sistema financeiro.

Mercados globais sob pressão

Nos Estados Unidos, a semana começou com maior aversão ao risco após as novas mudanças na política tarifária. Os três principais índices de Wall Street encerraram o pregão em queda, em um movimento de ajuste às incertezas comerciais.

Na Europa, o tom também foi de pressão. Sem grandes notícias locais, o humor dos investidores refletiu, sobretudo, as preocupações vindas dos EUA. O índice STOXX 600 caiu 0,45%, para 627,70 pontos. O DAX, da Alemanha, recuou 1,06%, a 24.991,97 pontos, enquanto o CAC 40, em Paris, perdeu 0,22%, fechando em 8.497,17 pontos. No Reino Unido, o FTSE 100 terminou praticamente estável, com leve baixa de 0,02%, a 10.684,74 pontos.

Bolsas asiáticas operam com liquidez reduzida

Na Ásia, parte das principais praças, como Japão e China continental, permaneceu fechada por feriados, o que reduziu o volume de negociações na região.

Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 2,5%, aos 27.081,91 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,7%, para 5.846,09 pontos. Em Taiwan, o Taiex registrou alta de 0,5%, enquanto o Sensex, na Índia, ganhou 0,6%. Já o SET, da Tailândia, encerrou o dia praticamente estável.

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