Tatiana Sampaio é homenageada com mural de grafite em Uberlândia: “A maior influenciadora deste país”

Painel assinado por Tiago Dequete destaca Tatiana Coelho Sampaio e a polilaminina, base de um medicamento brasileiro autorizado pela Anvisa a iniciar a fase 1

24/02/2026 às 11:12 por Redação Plox

A imagem de Tatiana Sampaio, cientista responsável pelo desenvolvimento da polilaminina — substância que pode ajudar pessoas com lesões na medula a recuperar total ou parcialmente os movimentos — ganhou forma em um grande painel assinado pelo grafiteiro Tiago Dequete. A homenagem ocupa o muro de um prédio no bairro Martins, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.


Tatiana Sampaio é homenageada em Uberlândia

Tatiana Sampaio é homenageada em Uberlândia

Foto: Redes sociais/reprodução


Nas redes sociais, Dequete apresentou a nova obra como uma homenagem à pesquisadora, destacando o impacto do trabalho de Tatiana, que, segundo ele, está ajudando muitas pessoas a voltar a ficar de pé. Nos comentários, internautas elogiaram o artista por dar visibilidade à cientista e, consequentemente, à ciência brasileira.

Belíssima homenagem!!! Viva a ciência! Viva as mulheres! Viva a arte! — seguidora do artista

A pintura está na Rua Carmo Gifoni, número 322. Ao lado da figura de Tatiana, o grafite inclui referências diretas à pesquisa pioneira e 100% nacional, como a representação de um frasco do medicamento e a estrutura da proteína laminina, em formato de cruz, que ao se agrupar dá origem à polilaminina.

Retrato de uma cientista brasileira em destaque

A obra transforma a história de uma pesquisadora de laboratório em um símbolo estampado no espaço urbano, aproximando o público da trajetória de Tatiana e de seu trabalho com a polilaminina.

Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, ela se dedica ao estudo da polilaminina, uma versão derivada da laminina — proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — desenvolvida em laboratório.

No início deste ano, o resultado de quase três décadas de pesquisa se materializou em um medicamento 100% brasileiro, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de estudos clínicos.


Os seguidores do artista parabenizaram Dequete pela homenagem à Tatiana Sampaio

Os seguidores do artista parabenizaram Dequete pela homenagem à Tatiana Sampaio

Foto: Redes sociais/reprodução

Do laboratório ao possível tratamento

Tatiana Sampaio conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. O estudo utilizou proteínas extraídas de placentas e aplicou a substância em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos.

Nos testes relatados, a polilaminina teria sido capaz de recriar conexões entre neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis dos oito pacientes. Em um dos casos, uma pessoa que estava paralisada do ombro para baixo voltou a andar sozinha.

A polilaminina é descrita como uma versão modificada da laminina, proteína produzida pelo corpo humano. Agora, deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e avança para a primeira fase de testes para aprovação de um novo medicamento pela Anvisa.


Antes do início dos testes com a polilaminina, pacientes estão acionando a Justiça em busca do tratamento

Antes do início dos testes com a polilaminina, pacientes estão acionando a Justiça em busca do tratamento

Foto: Reprodução/TV Globo

Primeira etapa dos estudos clínicos

Nesta fase inicial, as equipes vão avaliar a segurança do uso da substância, observando se ela provoca reações adversas. Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação de polilaminina até 48 horas após o trauma.

De acordo com o protocolo, essas pessoas serão acompanhadas por seis meses. Se não forem registradas reações adversas graves, terão início as próximas fases do estudo clínico, que vão verificar se a polilaminina é, de fato, eficaz para devolver movimentos ao corpo.

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