Hytalo Santos: além de condenação por exploração sexual de menores, influenciador acumula 14 processos na Justiça da Paraíba

Influenciador e o marido, Israel Vicente, seguem presos preventivamente no Presídio do Róger; TJPB deve retomar julgamento de habeas corpus nesta terça (24)

24/02/2026 às 07:29 por Redação Plox

Condenado em primeira instância a mais de 11 anos de prisão por produção de conteúdo sexual envolvendo adolescentes, o influenciador Hytalo Santos também responde a outros 14 processos na Justiça da Paraíba, em diferentes esferas. Além da ação criminal que resultou na condenação, ele é alvo de processos cíveis e trabalhistas. Na Justiça do Trabalho, aparece como réu por trabalho em condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para exploração sexual.

Na esfera trabalhista, uma audiência foi marcada para o dia 20 de março. O marido de Hytalo, Israel Vicente, condenado na Justiça Criminal a oito anos de prisão, também responde a ação trabalhista, em processo separado.

Na denúncia dos crimes trabalhistas, o Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) aponta indícios de que o influenciador e o marido adotavam práticas irregulares com menores, principalmente ao levá-los para morar em sua residência e submetê-los a condições de trabalho.

Entre as acusações estão isolamento do convívio familiar e confisco de meios de comunicação com o mundo externo, entre outras práticas relatadas.


Hytalo Santos em depoimento para a Justiça da Paraíba

Hytalo Santos em depoimento para a Justiça da Paraíba

Foto: Reprodução/TV Globo

Outros processos contra o influenciador na Justiça da Paraíba

Além da condenação por produção de conteúdo sexual envolvendo adolescentes, Hytalo Santos responde a mais 13 processos na Justiça da Paraíba. Um deles é criminal e 12 são cíveis, com diferentes tipos de acusações.

No âmbito criminal, há uma ação penal por resistência.

Na esfera cível, os processos são assim distribuídos:

  • Dois processos relacionados a direito de imagem;
  • Três ações de despesas condominiais;
  • Uma ação sobre direitos e deveres do condômino;
  • Três execuções por inadimplemento;
  • Uma execução por compra e venda;
  • Uma execução envolvendo a Taxa Selic;
  • Um processo de reivindicação;
  • Um caso de embargos à execução, com impugnação e pedido de efeito suspensivo.

Os detalhes específicos de cada um desses processos não constam de forma pública no sistema do Tribunal de Justiça da Paraíba. Há ainda o registro de outros 14 processos já arquivados definitivamente pela Justiça estadual, também envolvendo temas diversos.


Hytalo Santos e seu marido durante depoimento à Justiça da Paraíba.

Hytalo Santos e seu marido durante depoimento à Justiça da Paraíba.

Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico


Julgamento de habeas corpus pode levar à soltura de Hytalo e do marido

No processo que resultou na condenação de Hytalo Santos e de Israel Vicente, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) retomaria, na manhã desta terça-feira (24), o julgamento de um pedido de habeas corpus para a soltura do casal. A primeira parte do julgamento ocorreu em 10 de fevereiro, quando o relator, desembargador João Benedito, acatou parcialmente o entendimento da defesa e concedeu medidas cautelares.

Na ocasião, o desembargador Ricardo Vital pediu vistas, adiando a conclusão da análise para a nova data. Entre essa primeira sessão e a publicação da sentença, em um domingo (22), o casal foi condenado em primeira instância pela 2ª Vara Mista de Bayeux.

Mesmo após a condenação, o pedido de habeas corpus para suspensão da prisão preventiva permaneceu na pauta do TJPB. Segundo informado pelo Tribunal, o caso continuaria sendo analisado, o que abre possibilidade de revisão de votos pelos desembargadores da Câmara Criminal, incluindo o relator.

Pelo código processual brasileiro, a condenação em primeira instância não transforma automaticamente a prisão preventiva em cumprimento de pena definitiva. O cumprimento da pena só começa após o trânsito em julgado do processo, quando não há mais possibilidade de recurso. A defesa de Hytalo e Israel já indicou que vai recorrer da decisão.

Hytalo Santos e Israel Vicente seguem presos no Presídio do Róger, em João Pessoa, desde agosto de 2025, ainda em regime de prisão preventiva.

Cronologia do caso envolvendo Hytalo Santos

O caso ganhou repercussão a partir de uma série de medidas judiciais e decisões adotadas ao longo do processo. A cronologia registra os seguintes marcos:

  • Em 6 de agosto, um vídeo publicado pelo youtuber Felca trouxe denúncias sobre as práticas atribuídas ao influenciador paraibano. Após a repercussão, a conta de Hytalo no Instagram saiu do ar.
  • Em 13 de agosto, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em um condomínio de luxo no bairro Portal do Sol, onde o influenciador morava.
  • A Justiça determinou o bloqueio do acesso às redes sociais de Hytalo Santos.
  • Também foi imposta a proibição de contato com os adolescentes citados no processo.
  • O influenciador ficou impedido de receber dinheiro pela monetização de conteúdos nas redes sociais.
  • Em 14 de agosto, a Justiça da Paraíba autorizou um segundo mandado de busca e apreensão em endereços ligados a Hytalo Santos.
  • Em 15 de agosto, Hytalo Santos e o marido, Israel Nata Vicente, foram presos preventivamente em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo, após a decretação da prisão pela Justiça.
  • No dia 16 de agosto, o Tribunal de Justiça da Paraíba negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do casal.
  • A Justiça do Trabalho da Paraíba atendeu a pedido do MPT e determinou o bloqueio de carros, bens e valores de até R$ 20 milhões em nome do influenciador.
  • Em 28 de agosto, Hytalo Santos e o marido foram transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa.
  • Em um dos desdobramentos na Justiça Criminal, o casal passou à condição de réu pela suposta prática de produção de conteúdos de exploração sexual envolvendo adolescentes.
  • Paralelamente, na Justiça do Trabalho, Hytalo Santos e Israel Vicente se tornaram réus em ação por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.
  • A Justiça da Paraíba condenou o influenciador e o marido por produção de conteúdo sexual envolvendo adolescentes, em decisão de primeira instância.

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