Minas Gerais inicia vacinação contra chikungunya em projeto piloto com dose única

Imunizante do Instituto Butantan, aprovado pela Anvisa em 2025, começa a ser aplicado em Sabará e outras cidades selecionadas para avaliar impacto na circulação do vírus

24/02/2026 às 07:15 por Redação Plox

Minas Gerais iniciou a aplicação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan contra a chikungunya, em uma campanha marcada pela expectativa em torno de uma dose única capaz de prevenir a doença.


Imagem ilustrativa

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Foto: Freepik


No posto de saúde de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o publicitário Luiz Felipe Motta foi o primeiro a receber o imunizante contra a chikungunya.

Minha mãe que teve chikungunya, tem até hoje as dores no corpoLuiz Felipe Motta

Vacina é fruto de parceria internacional e projeto piloto

O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. A vacina foi aprovada pela Anvisa em 2025 e integra um projeto piloto em dez cidades brasileiras.

O programa inclui municípios do Ceará, de Sergipe, do interior de São Paulo e de quatro cidades de Minas Gerais, que passam a testar, em condições reais, o impacto da vacinação contra a chikungunya.

Público-alvo e objetivo do estudo em campo

A vacina contra a chikungunya é indicada para adultos de 18 a 59 anos sem imunodeficiência, ou seja, sem doenças que enfraquecem o sistema de defesa do organismo.

Além de proteger diretamente quem recebe a dose, o estudo também vai acompanhar a situação epidemiológica nas cidades participantes para avaliar, na prática, se a vacinação em massa consegue reduzir a circulação do vírus.

É uma vacina aprovada que teve sua eficácia e sua segurança comprovadas em diversos estágios de desenvolvimento, e a gente está aqui agora gerando um dado complementar, que é a utilização em vida realFernanda Boulos, diretora médica do Instituto Butantan

Casos de chikungunya e impacto na saúde

Em 2025, o país registrou quase 130 mil casos prováveis de chikungunya e 121 mortes. Em 2026, já são mais de 8 mil casos notificados e uma morte confirmada.

A doença pode provocar dores intensas nas articulações, com potencial de causar incapacidade e comprometimento importante da qualidade de vida.

A pessoa pode ficar incapacitada, pode ficar na cama, cadeira de rodas, com dor crônica, levando à depressão. A vacina está chegando, felizmente está chegando. Mas enquanto ela não vem para todo mundo, nós sempre manter aquilo que eu sempre te falo: eliminar os criadouros do Aedes aegypti. Porque você eliminando o mosquito, você evita três doenças: a chikungunya, a dengue e a zikaUnaí Tupinambás, infectologista

Enquanto a vacinação não alcança toda a população, o controle do Aedes aegypti segue como medida essencial para evitar não apenas a chikungunya, mas também dengue e zika.

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