Presidente da Coreia do Sul posta vídeo de IA “abraçando” Lula após cúpula em Seul

Postagem de Lee Jae-myung mistura cena fictícia dos dois como jovens trabalhadores com imagens reais do encontro durante visita oficial, em meio ao anúncio de parceria estratégica entre Coreia do Sul e Brasil.

24/02/2026 às 10:11 por Redação Plox

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, divulgou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que o mostra “abraçando” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As imagens recriam os dois como jovens trabalhadores que se abraçam, em uma cena que depois transita para o encontro real entre os líderes, durante a visita oficial de Lula ao país. A publicação foi feita após a cúpula em Seul, no momento em que Coreia do Sul e Brasil anunciaram a elevação do relacionamento bilateral ao patamar de “parceria estratégica”.

Lee Jae-myung e Lula

Lee Jae-myung e Lula

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Vídeo de IA e mensagem de “irmandade”

De acordo com relatos da imprensa sul-coreana e brasileira, Lee compartilhou um clipe curto, de cerca de 10 a 11 segundos, em que ele e Lula aparecem como jovens operários se abraçando. Em seguida, a cena gerada por IA “migra” para o abraço registrado no encontro oficial entre os dois presidentes.

Na publicação, o sul-coreano associa o vídeo a trajetórias pessoais semelhantes, com ambos apresentados como líderes marcados por experiências de trabalho duro e por acidentes na juventude. A mensagem usa linguagem de forte carga simbólica, recorrendo à ideia de “irmandade” ao se referir ao brasileiro como uma espécie de “irmão” político.

A postagem ganhou repercussão adicional quando Lula compartilhou o conteúdo no X (antigo Twitter) no dia seguinte, ampliando o alcance da peça nas redes.

Gesto simbólico em meio à parceria estratégica

O vídeo foi publicado pelo próprio presidente sul-coreano em sua conta oficial, configurando uma forma de comunicação direta do chefe de Estado, ainda que por meio de conteúdo produzido por inteligência artificial.

O gesto ocorre no contexto de uma agenda diplomática mais ampla entre Brasil e Coreia do Sul. Segundo a cobertura internacional baseada em informações de agências, os dois países anunciaram a intenção de ampliar a cooperação em áreas como comércio, minerais críticos, tecnologia e cultura, com a formalização de uma “parceria estratégica” entre os governos.

Nessa moldura, o vídeo de IA em que o presidente da Coreia do Sul aparece abraçando Lula funciona como peça simbólica de aproximação política, alinhada ao discurso de laços mais estreitos entre os dois países.

Impactos na comunicação política e na diplomacia

Especialistas apontam que o uso de conteúdo gerado por IA por líderes políticos abre espaço para novas formas de comunicação, mas também para riscos de interpretação equivocada.

No caso do vídeo sul-coreano, uma preocupação é que o material possa ser recortado e republicado fora de contexto, alimentando leituras erradas — por exemplo, como se fosse um registro autêntico da juventude dos dois presidentes. Até o momento, a publicação original tem sido tratada como peça simbólica, e não como documento histórico.

O episódio reforça ainda uma tendência de “diplomacia de redes”, em que líderes utilizam formatos virais para sinalizar alinhamentos políticos e ampliar a visibilidade pública de encontros e acordos, indo além de fotos protocolares. Essa prática, porém, também suscita debate sobre transparência e limites no uso de IA por autoridades.

Do ponto de vista econômico, a repercussão do vídeo ocorre em paralelo a negociações e anúncios de cooperação em áreas como minerais críticos e comércio, de interesse direto para setores produtivos e para a política externa brasileira.

Desdobramentos e necessidade de checagem

A tendência é que os efeitos concretos da visita oficial sejam detalhados em comunicados, planos de ação, memorandos e coletivas, o que ajuda a separar o gesto simbólico — representado pelo vídeo de IA — do conteúdo objetivo dos acordos bilaterais.

Em paralelo, cresce a importância de acompanhar a circulação do material nas redes. Caso o vídeo passe a ser compartilhado com alegações falsas, como se fosse “imagem real” de juventude ou “registro histórico”, a recomendação é de reforço em checagens e contextualização. Até agora, a informação central divulgada é que se trata de conteúdo gerado por inteligência artificial e publicado como tal pelas contas oficiais.

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