Número de mortos em tempestade em Juiz de Fora e Ubá (MG) sobe para 24; 47 sumidos
Governo de Minas decretou luto oficial de três dias, enquanto resgates seguem em áreas com deslizamentos e alagamentos; Juiz de Fora confirmou 18 mortes e Ubá, seis
Priscila Versão, espancada e morta na Zona Norte de São Paulo na segunda-feira (23), vivia um relacionamento abusivo, já havia sido agredida e tinha três filhos com o acusado, segundo relatou a mãe da vítima, Selma Alves Ribeiro da Silva.
Priscila Versão foi morta pelo namorado na Zona Norte de São Paulo.
Foto: Reprodução/Redes sociais
A jovem era amiga de Tainara Souza Santos, também vítima de feminicídio, morta em dezembro após ter as pernas amputadas ao ser atropelada e arrastada por um homem até a Marginal Tietê. As duas moravam no mesmo bairro.
O companheiro de Priscila, o motorista Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio.
Ela era guerreira, lutava pela felicidade dela e dos filhos. Só que, infelizmente, [...] ela estava dentro de um relacionamento abusivo e tóxico. Ela estava doente emocionalmente e eu lutei com todas as minhas forças, fiz o que eu pude e o que eu não pude. Fiz de tudo para ela sair desse relacionamentoSelma, mãe de Priscila, à TV Globo
Priscila tinha 22 anos, trabalhava como autônoma e morava na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. Os três filhos do casal têm seis anos, quatro anos e seis meses.
Segundo a mãe, a jovem já havia passado por outros episódios de violência ao longo dos cinco anos de relacionamento. Selma disse que, para ela, quando um homem agride uma mulher, atinge também toda a família, e relatou que vive o luto pela filha, com a sensação de que o coração “está despedaçado”.
Faxineira, Selma afirmou ainda que não sabe como será sua rotina e sua vida financeira a partir de agora, já que terá que criar sozinha os três netos.
Ela disse que não vê perspectiva de continuar trabalhando como antes, pois precisa cuidar das crianças e se sente “de mãos atadas” diante da nova realidade.
De acordo com familiares, Priscila e Deivit estavam em uma festa na Avenida Julio Bueno, no Jardim Brasil, quando teriam começado a discutir. A agressão teria ocorrido dentro do carro do casal, por volta de 4h30.
Priscila foi levada pelo companheiro ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli, no Parque Novo Mundo, já sem sinais de vida. Segundo o Guia de Encaminhamento de Cadáver, ela apresentava marcas de agressão, hematomas e escoriações pelo corpo.
O documento registra ainda que a vítima tinha sangramento no nariz e que suas roupas exalavam cheiro de gasolina.
Conforme o boletim de ocorrência, Deivit chegou ao hospital com Priscila já morta e, no local, ameaçou atear fogo ao próprio corpo.
Depois de se acalmar, contou aos policiais militares chamados ao hospital que os dois estavam em um pagode em um boteco quando tiveram uma briga. Ele afirmou que foi até um posto de combustível, comprou gasolina e despejou o produto em si mesmo com a intenção de se suicidar, mas acabou desistindo.
Ainda segundo o registro policial, o motorista disse que resolveu voltar ao bar e, antes de chegar ao local, viu Priscila caída no chão, com sangramento no nariz. Ele relatou que a pegou e a levou ao hospital.