Copom deixa próximos cortes de juros em aberto após guerra no Irã elevar incertezas

Ata do Banco Central cita alta do petróleo e piora nas expectativas de inflação; Selic caiu de 15% para 14,75% ao ano em 18 de março

24/03/2026 às 10:45 por Redação Plox

Diante da incerteza provocada pela guerra no Irã, o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a duração e a intensidade do ciclo de queda de juros serão definidas ao longo do tempo, conforme novas informações forem incorporadas às análises. A avaliação consta em ata divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (24/3).

Sem sinalizar os próximos passos, o colegiado deixou em aberto a decisão sobre a próxima reunião. A orientação é aguardar maior clareza sobre a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio antes de definir os movimentos seguintes.

Sede do Banco Central, em Brasília.

Sede do Banco Central, em Brasília.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil


Copom mantém próximos passos em aberto diante do cenário externo

O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises

Copom, em ata divulgada pelo Banco Central

Na sequência, a ata aponta que a leitura do cenário está mais difícil com o avanço das incertezas. O documento associa o momento à duração e extensão dos conflitos geopolíticos e também a sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre os preços, o que dificultaria a identificação de tendências mais claras.

Primeiro corte em quase dois anos reduz Selic para 14,75%

O Copom iniciou o ciclo de queda de juros na última quarta-feira (18/3), ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Na ata, o comitê ressaltou os efeitos dos juros altos sobre a atividade econômica e sobre a inflação para justificar o primeiro corte.

Segundo o colegiado, o ritmo escolhido para o início do ciclo foi definido após a análise das opções disponíveis, com a conclusão de que a redução de 0,25 ponto percentual seria a mais adequada neste momento. O texto também afirma que a “calibração” manteria os juros em um patamar alto o suficiente para seguir contraindo a economia, contribuindo para levar a inflação em direção à meta.

Foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos e o primeiro na gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central. A última queda havia sido registrada em maio de 2024, quando Roberto Campos Neto ainda era presidente da autoridade monetária.

Petróleo e incertezas elevam atenção do BC

A ata afirma que a incerteza em relação ao cenário externo se elevou consideravelmente. No dia da reunião, o barril do petróleo chegou a ultrapassar os US$ 110. O documento acrescenta que, além do agravamento das tensões geopolíticas, novas incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos contribuíram para tornar o ambiente ainda mais incerto.

Projeções de inflação sobem após início do conflito

Ao analisar a trajetória da inflação, o colegiado observou que, até o início do conflito no Oriente Médio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrava “algum arrefecimento”. O texto aponta que o alívio no câmbio e nos preços das commodities ajudava a reduzir a inflação de bens industrializados e alimentos.

A ata também registra que a inflação de serviços vinha perdendo força, ainda que de modo mais lento, em meio ao dinamismo do mercado de trabalho e à moderação gradual da atividade econômica.

No entanto, após o início da guerra no Irã, as expectativas de inflação voltaram a subir e permaneceram acima da meta de 3% em todos os períodos observados. No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano aumentou de 3,4% para 3,9%. Para o terceiro trimestre de 2027, a projeção subiu de 3,2% para 3,3% — prazo que o comitê acompanha por causa dos efeitos defasados da política de juros sobre a economia.

O alvo central do BC é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Pelo modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada fica por seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% a 4,5%.

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