CMN proíbe mercado preditivo sobre esportes, política e outros eventos não financeiros no Brasil
Resolução 5.298 restringe contratos a temas econômicos e financeiros e veta oferta a brasileiros, inclusive por plataformas estrangeiras
24/04/2026 às 15:26por Redação Plox
24/04/2026 às 15:26
— por Redação Plox
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A partir do início de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passarão a ser proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e busca fechar uma brecha regulatória, estabelecendo regras mais claras para esse tipo de atividade.
Com a decisão, apenas contratos ligados a temas econômicos e financeiros seguirão permitidos, como inflação, juros e o preço de commodities — bens primários com cotação internacional.
As novas regras estão na Resolução do CMN 5.298, aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira (23).
Apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passarão a ser proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil a partir de maio.
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Como funciona o mercado preditivo
O mercado preditivo opera como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nesse modelo, usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas diretas, como “Vai acontecer ou não?”. Se o evento ocorrer, quem apostou ganha dinheiro; se não ocorrer, perde.
Segundo a descrição do texto original, há uma diferença importante em relação às apostas tradicionais: nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios; nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si.
Esses contratos são tratados como derivativos, um tipo de investimento cujo valor depende do comportamento futuro de um ativo ou indicador.
O que passa a ser proibido
Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos ligados a eventos não financeiros, incluindo:
resultados de jogos esportivos;
eleições e temas políticos;
reality shows e entretenimento;
eventos sociais ou culturais.
Na prática, uma parcela relevante do que vinha ganhando popularidade nessas plataformas deixa de ser autorizada. A proibição vale inclusive para plataformas estrangeiras que ofereçam esses produtos a brasileiros.
O que continua liberado no Brasil
Seguirá sendo possível negociar contratos vinculados a variáveis econômicas, como:
taxa de juros;
inflação;
câmbio;
preço do petróleo e outras commodities.
Nesses casos, a supervisão permanece com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela regulação do mercado financeiro.
Por que o governo decidiu restringir apostas não financeiras
O principal motivo apontado no texto é o entendimento de que apostas sobre eventos não financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, e não como investimentos.
Assim, apostas em eventos não financeiros só poderiam ocorrer por meio de bets, que exigem licença do Ministério da Fazenda, pagamento de taxas e regras de proteção ao jogador. Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram vistas como uma concorrência irregular às bets.
Impacto para o setor e fiscalização
A decisão reduz de forma significativa o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, incluindo plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.
Ao mesmo tempo, o movimento busca evitar riscos para investidores, reduzir a especulação excessiva e organizar um setor que crescia sem regras claras. A regulamentação complementar será feita pela CVM, que também ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das novas normas.
Quando as regras entram em vigor
As mudanças passam a valer em 4 de maio e integram um movimento mais amplo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país.