Confiança do consumidor sobe em abril e iguala maior nível desde dezembro, aponta FGV

ICC do Ibre/FGV avançou 1 ponto e chegou a 89,1; melhora foi puxada por inflação mais controlada e mercado de trabalho robusto, com ganho maior entre as faixas de menor renda

24/04/2026 às 17:33 por Redação Plox

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) subiu 1 ponto em abril, na comparação com março, e chegou a 89,1 pontos. É o mesmo patamar registrado em dezembro do ano passado, que até então havia sido o maior nível do indicador.

Na média móvel trimestral, o índice avançou 0,6 ponto, para 87,8 pontos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro. 


Confiança do consumidor subiu em abril.

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil


Inflação e emprego sustentam segunda alta seguida

Para a economista do Ibre Anna Carolina Gouveia, a melhora na percepção sobre o momento atual foi decisiva para a segunda alta consecutiva da confiança. Ela apontou como fatores relevantes a manutenção da inflação mais controlada e um mercado de trabalho robusto.

E como a gente vem tendo uma melhora mais focada nas faixas de renda mais baixas, eu acredito que talvez a questão da isenção do imposto de renda tenha ajudado a dar um alívio pontual no orçamento das famílias de menor renda. Então, isso pode estar influenciando os últimos meses da melhora da confiança Anna Carolina Gouveia, economista do Ibre

Indicadores apontam melhora no momento presente

Os dois componentes do ICC registraram avanço em abril. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção sobre o momento presente da economia, subiu 2,1 pontos e alcançou 85,3 pontos, indicando uma avaliação mais favorável do cenário atual.

Já o Índice de Expectativas (IE), que reflete a visão do consumidor sobre o futuro, teve alta de 0,2 ponto e chegou a 92,3 pontos.

Segundo Anna Carolina, o movimento do mês foi puxado principalmente pela melhora da situação corrente. Ela destacou que o indicador que mais impulsionou o ICC foi o de situação financeira atual das famílias, com alta de 3,9 pontos.

Renda mais baixa lidera avanço da confiança

O recorte por faixa de renda mostra que o avanço mais expressivo ocorreu entre os consumidores com renda mensal de até R$ 2,1 mil, com a segunda melhora mensal consecutiva: alta de 3,4 pontos em abril. Em março, o crescimento havia sido de 5,4 pontos na comparação com o mês anterior.

Incertezas no horizonte: guerra externa e endividamento

Apesar do resultado de abril, a economista afirmou que a leitura para os próximos meses é incerta, principalmente pelos possíveis efeitos de uma guerra externa sobre a inflação no Brasil. A expectativa, segundo ela, é de algum impacto inflacionário adiante, o que pode reduzir a confiança e aumentar o pessimismo caso os preços voltem a subir.

Além da inflação, Anna Carolina apontou o endividamento elevado como uma das principais preocupações do consumidor. Ela observou que houve uma melhora pontual desse indicador no mês, possivelmente influenciada por alguma política já sinalizada pelo governo para ajudar nessa questão.

De acordo com a economista, se houver uma política capaz de ajudar o consumidor a desafogar o orçamento, isso pode reduzir o pessimismo e permitir que as famílias não apenas paguem as contas, mas também voltem a consumir normalmente.

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