Correios fecham 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e anunciam reestruturação
Resultado negativo mais que triplicou em relação a 2024; estatal detalhou plano ligado a empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União
24/04/2026 às 08:25por Redação Plox
24/04/2026 às 08:25
— por Redação Plox
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Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais do que o triplo do resultado negativo registrado no ano anterior, após queda na receita total. Os números foram apresentados em entrevista coletiva nesta quinta-feira (23), quando o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, detalhou resultados do plano de reestruturação da estatal e minimizou a adesão abaixo da meta ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
O plano de reestruturação foi anunciado no fim de 2025 como contrapartida para um empréstimo de R$ 12 bilhões, concedido pelos cinco maiores bancos do país, com o objetivo de equilibrar as contas da empresa. Em caso de inadimplência da estatal, a União, que dá garantia ao empréstimo, deverá arcar com os pagamentos.
Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bilhões em 2025
Foto: (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Receita cai e patrimônio líquido fica negativo
Segundo os dados apresentados, a receita bruta total dos Correios somou R$ 17,3 bilhões em 2025, queda de 11,35% em relação a 2024, quando o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões. A empresa também encerrou o ano com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões.
PDV fica abaixo da meta e empresa aponta economia
Uma das principais apostas para reduzir despesas, o PDV teve adesão de apenas 32% da meta estipulada pela diretoria, com 3.181 desligamentos. O plano original previa alcançar 10 mil empregados — o equivalente a 12,7% do total de funcionários — e o prazo de adesão chegou a ser prorrogado em uma semana, sem atingir o objetivo.
Somando os PDVs de 2024 e 2025, foram 3.756 desligamentos. De acordo com a empresa, a medida resultou em economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e de R$ 775,7 milhões em 2026. A adesão naquele período, porém, durou 12 meses, mais do que a deste ano, que teve apenas dois.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a empresa projetou economia de R$ 1,4 bilhão para 2027 caso a meta de 10 mil adesões fosse atingida. Ainda assim, segundo a estatal, a economia com os 3.181 desligados será equivalente a 40% do total projetado.
Está coerente com o que precisávamos. Temos 40% da economia projetada. Enxergamos um payback de cinco meses. Como o salário médio foi mais alto do que tínhamos projetado, o resultado deve ser maior Emmanoel Rondon
Reestruturação prevê venda de imóveis e fechamento de unidades deficitárias
No plano de reestruturação, a primeira fase previa a recuperação da liquidez para regularizar compromissos. Segundo os Correios, 97% dos valores devidos já foram quitados ou renegociados nessa etapa, o que, de acordo com a empresa, abre espaço para o avanço à segunda fase, de estabilização do resultado.
Além do PDV, o plano prevê a venda de imóveis, com potencial de receita de R$ 1,5 bilhão, segundo a estatal. Também está prevista a redução de até mil pontos de atendimento deficitários.
Os Correios afirmam ter cerca de 10 mil unidades de atendimento, sendo 7.000 próprias ou franqueadas. Do total, 85% eram deficitárias, segundo relatório de 2024. Até o momento, de acordo com o presidente, 68 unidades foram fechadas.
Meta é reduzir déficit em 2026 e voltar ao lucro em 2027
A segunda fase foi iniciada em janeiro de 2026, quando a empresa negociou com fornecedores e apontou economia de R$ 321 milhões, segundo os Correios. A estatal afirma que o plano contempla três fases — recuperação financeira, consolidação e crescimento — e estabelece como meta reduzir o déficit em 2026 e retornar à lucratividade em 2027.
O empréstimo de R$ 12 bilhões cobre parte das necessidades financeiras. A gestão mapeou um buraco de R$ 20 bilhões no caixa da empresa, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Rondon atribuiu as dificuldades a uma estrutura de custos rígida e à concorrência no e-commerce, que tem desenvolvido logística própria.