Frente fria com ciclone deve atingir cinco estados e pode causar chuva extrema

Segundo o INMET, sistema avança entre sexta (24) e terça (28), com risco de temporais, granizo e acumulados acima de 100 mm em 24 horas no Sul e pancadas fortes em MS e SP

24/04/2026 às 08:32 por Redação Plox

Uma frente fria associada à formação de um ciclone deve atingir com força cinco estados entre esta sexta-feira (24) e a terça-feira (28), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET): Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O alerta mais intenso começa pelo território gaúcho, com risco de chuva extrema, temporais, rajadas, raios e granizo. Em seguida, a instabilidade se desloca para Santa Catarina e Paraná, enquanto Mato Grosso do Sul e São Paulo entram mais na borda do sistema entre segunda e terça.

  • O INMET indica que o impacto não será igual em todos os estados. O Rio Grande do Sul entra primeiro na faixa mais crítica. Santa Catarina e Paraná concentram a parte mais pesada do evento no fim de semana e no começo da próxima semana. Já Mato Grosso do Sul e São Paulo aparecem como áreas de expansão da instabilidade, com chance de pancadas fortes e temporais, mas sem o mesmo peso esperado no núcleo do Sul.
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    Foto: Pixabay


O que está por trás da virada do tempo

A mudança começa com o avanço de uma área de baixa pressão sobre o Sul do Brasil. Esse sistema deve ajudar a organizar a atmosfera e, nos próximos dias, favorecer a formação de um ciclone e o avanço da frente fria. Ao mesmo tempo, um rio atmosférico — uma faixa estreita e alongada de umidade que funciona como corredor de vapor d’água — reforça a chuva na região.

Na prática, é a combinação entre baixa pressão, frente fria, ciclone e grande volume de umidade que aumenta o risco de um episódio mais perigoso. O cenário tem potencial para chuva persistente, altos acumulados em pouco tempo e tempestades com transtornos rápidos em áreas urbanas e rurais.

Rio Grande do Sul entra primeiro na faixa mais crítica

O Rio Grande do Sul é o primeiro estado a sentir a virada do tempo com mais força. O período mais delicado vai da noite desta quinta-feira (23) até o amanhecer de sábado (25), com chuva mais intensa sobre o noroeste e o centro do estado. Nessa faixa, os acumulados podem superar 100 mm em 24 horas, elevando o risco de alagamentos, enxurradas, transbordamento de córregos e bloqueios em rodovias.

Em áreas como Porto Alegre, a preocupação maior não está apenas no volume total, mas na velocidade com que a chuva pode cair. Já no interior e no noroeste gaúcho, a combinação de chuva forte, raios, rajadas e eventual granizo aumenta o risco de danos em telhados, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

Santa Catarina e Paraná recebem o grosso no fim de semana

Depois de avançar pelo Rio Grande do Sul, a instabilidade se espalha com mais força para Santa Catarina e Paraná. O domingo (26) tende a ser o dia mais sensível nos dois estados, com chuva forte em áreas do oeste catarinense e do sul e oeste paranaense. Cidades como Chapecó e o entorno de Cascavel entram em uma faixa de atenção maior.

No Paraná, o risco não se limita ao domingo. Entre segunda (27) e terça-feira (28), a chuva forte e as tempestades ainda devem persistir. Na projeção citada no texto-base, os acumulados totais até o fim de terça podem se aproximar de 200 mm em partes do território paranaense, o que amplia a preocupação com alagamentos, deslizamentos em áreas vulneráveis e transtornos no transporte.

São Paulo e Mato Grosso do Sul entram mais na borda do sistema

Mato Grosso do Sul e São Paulo também aparecem na lista de risco, mas com um comportamento diferente. Nesses dois estados, a tendência é de avanço da instabilidade no começo da próxima semana, especialmente entre segunda e terça. O potencial é de pancadas fortes, temporais localizados e eventual granizo, sem o padrão contínuo e extremo esperado para o núcleo da chuva no Sul.

Em Mato Grosso do Sul, a atenção aumenta principalmente nas áreas ao sul e oeste do estado, perto de Campo Grande e da fronteira com o Paraguai. Em São Paulo, a mudança pode alcançar inclusive a Região Metropolitana, mas com característica mais irregular: chove forte em um setor, enquanto outro pode ter apenas aumento de nuvens.

O que é chuva extrema e por que 100 mm em 24 horas preocupam

Quando a previsão indica 100 mm em 24 horas, isso equivale a 100 litros de água por metro quadrado. Em cidades com drenagem precária, rios já cheios ou solo saturado, esse volume pode provocar alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente se concentrado em poucas horas.

O risco aumenta quando a chuva vem acompanhada de tempestades. Além da água, entram no cenário os raios, as rajadas de vento, a possibilidade de granizo e os impactos sobre energia, trânsito e estruturas mais frágeis. Não é só o acumulado no mapa que importa, mas a forma como a chuva cai.

Por que esta frente fria preocupa mais do que uma virada comum

Frentes frias no Sul do Brasil são frequentes no outono. O que chama atenção neste episódio é a combinação de umidade abundante, organização de um ciclone e potencial de chuva acima do esperado em um intervalo curto, transformando uma mudança típica em um evento mais delicado, com possibilidade de transtornos ao longo de vários dias.

Outro fator é a duração do período de atenção. O Rio Grande do Sul entra primeiro na faixa mais pesada, mas o risco se desloca e se mantém no fim de semana e no começo da próxima semana em outros estados, ampliando a janela de preocupação.

Boletim: INMET

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