Gastos de brasileiros no exterior atingem US$ 6,04 bilhões no 1º trimestre, maior nível desde 1995
Banco Central aponta alta de 21,9% na comparação anual; despesas de março somaram US$ 1,99 bilhão, recorde para o mês
24/04/2026 às 09:22por Redação Plox
24/04/2026 às 09:22
— por Redação Plox
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Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre deste ano, informou o Banco Central nesta sexta-feira (24). O valor representa alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as despesas totalizaram US$ 4,96 bilhões.
Segundo o BC, este é o maior resultado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1995.
Somente em março, os gastos lá fora chegaram a US$ 1,99 bilhão, recorde para o mês.
Ainda de acordo com o BC, déficit das contas externas brasileiras recuou 10,76% nos três primeiros meses deste ano. Investimentos diretos também registraram pequeno recuo.
Foto: Ascom CCR/Aeroportos
Dólar mais baixo barateia viagens e despesas fora do país
O aumento das despesas no exterior ocorre em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana, o que tende a tornar viagens internacionais mais baratas. Itens como passagens, hospedagens e o consumo de produtos e serviços fora do Brasil são influenciados — ou diretamente cotados — em moeda estrangeira.
Nesta quinta-feira (23), o dólar fechou em alta de 0,58%, cotado a R$ 5. Ainda assim, no acumulado do ano, a moeda registra recuo de 8,85%.
De acordo com a avaliação do mercado mencionada no texto, a queda do dólar ocorre em meio à guerra no Oriente Médio. A percepção é de que o Brasil, por ser exportador de petróleo, estaria em uma situação melhor do que outras economias, e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país, fortalecendo o real.
Ao mesmo tempo, a economia brasileira segue registrando crescimento, apesar da desaceleração. A atividade econômica também costuma influenciar os gastos de brasileiros no exterior.
Déficit das contas externas recua no trimestre
O Banco Central informou ainda que o déficit das contas externas brasileiras recuou 10,76% no primeiro trimestre deste ano. A conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 20,27 bilhões nos três primeiros meses, ante um rombo de US$ 22,71 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores do setor externo, é composto pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para fora).
O BC costuma apontar que o tamanho do déficit está relacionado ao crescimento da economia: quando a atividade avança, o país demanda mais produtos do exterior e também realiza mais gastos com serviços. Com a desaceleração, a tendência é de redução do rombo.
Investimentos diretos de estrangeiros registram leve queda
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira tiveram pequeno recuo no primeiro trimestre de 2026. De janeiro a março, foram US$ 21,03 bilhões, contra US$ 23,04 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Mesmo com a queda, o volume foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes registrado nos dois primeiros meses deste ano.