Gilmar Mendes e Zema trocam críticas após fala do ministro sobre limites da sátira ao STF

Ministro citou exemplos envolvendo o ex-governador em entrevista; Zema reagiu chamando a declaração de “inacreditável” e acusou preconceito e defesa de censura

24/04/2026 às 08:23 por Redação Plox

A troca de farpas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) ganhou um novo capítulo na noite desta quinta-feira (23/4). O embate se intensificou depois de declarações do ministro sobre limites para a sátira envolvendo a Corte e de uma resposta dura do ex-governador, que classificou a fala como “inacreditável”.


Resposta de Zema após fala de Gilmar sobre “boneco homossexual”

Em entrevista ao portal Metrópoles, Gilmar Mendes questionou como Zema se sentiria ao ser representado por um “boneco homossexual” e citou, também, um exemplo de boneco “roubando dinheiro no estado”. A declaração foi usada pelo ministro ao comentar a discussão sobre os limites da sátira contra o STF.

Embate iniciado após vídeo com fantoches de ministros do STF teve novo capítulo

Embate iniciado após vídeo com fantoches de ministros do STF teve novo capítulo

Foto: Redes sociais: @RomeuZemaOficial


Gilmar, estou achando isso uma vergonha. Você pode mandar fazer um boneco meu de homossexual, de ladrão ou do que bem entender. Pode me satirizar à vontade. O que você não pode fazer é comparar homossexual com ladrão. Sério que você acha que é a mesma coisa chamar alguém de homossexual ou de ladrão? Aí você mostrou o seu mais puro preconceito para o Brasil

Romeu Zema

Vídeo com fantoches e pedido de inclusão no inquérito das “Fake News”

A fala do ministro ocorreu no contexto de um vídeo feito por Zema utilizando fantoches parecidos com ministros do Supremo — um deles semelhante a Gilmar Mendes — em cenas associadas a corrupção e negociata. Segundo o texto, o conteúdo teria sido a razão para Gilmar pedir a inclusão do ex-governador no inquérito das “Fake News”.

Na declaração que motivou a reação de Zema, Gilmar afirmou que, se a sátira avançasse sobre temas sensíveis e instituições, isso poderia ser ofensivo, mencionando os exemplos de um “boneco do Zema como homossexual” e outro o retratando “roubando dinheiro no estado”.

Crítica de Zema a “limites para as sátiras” e menção à ditadura

Ao rebater a avaliação do ministro sobre haver limites para a sátira, Zema disse que a ideia lembraria tempos em que humoristas eram presos. “Parece que você está com saudade da ditadura, quando os poderosos mandavam prender humoristas. Vamos parar com isso, Gilmar”, concluiu.

STF foi procurado e “espaço segue aberto”

A reportagem afirmou ter acionado a assessoria do STF na noite desta quinta-feira, mas não conseguiu contato com o ministro Gilmar Mendes. O texto informa que o espaço segue aberto para manifestações.

Dia longo: provocação sobre sotaque e “mineirês”

O embate entre os dois, segundo a matéria, começou ainda na manhã de quinta-feira, quando Zema fez uma postagem em resposta a um comentário de Gilmar sobre o jeito de falar do ex-governador mineiro. De acordo com o texto, o ministro disse que Zema fala um “dialeto próximo do português”.

Na resposta, Zema afirmou que se sentia honrado e orgulhoso e disse que a crítica atingiria “alguns milhões de mineiros” com o mesmo sotaque. Ele concluiu: “É uma honra muito grande falar o mineirês”.

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