Governo reajusta valores do Gás do Povo em 22 estados; DF fica fora e mantém R$ 96,56

MME e Fazenda dizem que medida corrige defasagens e busca proteger a população em meio a efeitos da guerra no Irã sobre insumos energéticos; Sindvargas critica falta de critérios e aponta risco de revendedores deixarem o programa.

24/04/2026 às 10:32 por Redação Plox

O governo federal reajustou, na última sexta-feira (17/4), os valores do programa Gás do Povo em 22 estados. O Distrito Federal, porém, ficou fora da atualização e manteve o preço de R$ 96,56, em vigor desde janeiro.

O aumento no benefício é uma das medidas anunciadas para enfrentar os efeitos da guerra no Irã sobre os preços de insumos energéticos e proteger a população brasileira.


Imagem ilustrativa.

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Foto: Freepik.


Reajuste busca corrigir defasagens

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério da Fazenda, a atualização foi feita para corrigir defasagens em estados onde o preço praticado, no âmbito do programa, estava acima dos limites previstos nas regras. De acordo com as pastas, esse cenário vinha afetando o ritmo de adesão das revendas.

Não houve aumento nos valores dos vouchers distribuídos no Acre (R$ 123,16), Distrito Federal (R$ 96,56), Espírito Santo (R$ 94,78), Rio de Janeiro (R$ 93,16) e Mato Groso (R$ 126,09). Nos demais estados, os reajustes foram aplicados com variações de até R$ 10.

O maior reajuste em números absolutos ocorreu em Rondônia, onde o benefício passou de R$ 109,38 para R$ 119,59, uma elevação de R$ 10,21.

Sindicato do DF aponta insuficiência e teme efeitos no setor

A atualização dos preços de referência do GLP no programa provocou reação entre revendedores em todo o país. No Distrito Federal, o Sindicato das Revendas de Gás LP do Distrito Federal (Sindvargas) demonstrou preocupação com os efeitos da medida e avaliou que a atualização é insuficiente para recompor os custos do setor.

De acordo com a entidade, apesar de o governo federal ter sinalizado previamente a possibilidade de reajustes de até R$ 10, a correção efetivamente aplicada ficou abaixo do esperado.

O Sindvargas afirma que há estados em que o valor pago pelo programa está significativamente abaixo da média de mercado, enquanto outros aparecem ligeiramente acima, sem critérios considerados claros e transparentes para essa diferenciação.

No Distrito Federal, por exemplo, além de não ter havido reajuste nos valores do programa, revendedores enfrentaram impactos do dissídio salarial em março, somados à alta dos combustíveis, que encarece o transporte e a entrega do gás Sérgio Costa, presidente do Sindvargas

Outro ponto de tensão, segundo o sindicato, envolve declarações recentes do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre uma força-tarefa com distribuidoras para repassar valores às revendas e estimular a redução de preços ao consumidor. Para a entidade, essa abordagem desconsidera a estrutura de custos do varejo e pode reforçar junto à população a percepção de que os revendedores seriam responsáveis pela alta.

Nesse contexto, o Sindvargas aponta que cresce o movimento de revendedores que avaliam deixar o Gás do Povo, sob alegação de inviabilidade financeira. A entidade afirma haver casos em que o custo de aquisição do botijão se aproxima ou até supera o valor pago pelo programa.

Como funciona o Gás do Povo

A iniciativa garante a recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda per capita de até meio salário-mínimo e cadastro atualizado. Os preços de referência, base para o reembolso do governo aos revendedores, variam por estado.

Em janeiro, o programa social Gás do Povo foi ampliado e incluiu 950 mil novas famílias na segunda fase de implementação. Atualmente, cerca de 15 milhões de lares são atendidos em todos os municípios brasileiros, beneficiando aproximadamente 50 milhões de pessoas.

O que diz o governo federal

Procurado pelo Metrópoles, o Ministério de Minas e Energia informou que o modelo do programa prevê a remuneração das revendas com base em um Preço de Referência regionalizado, definido por ato conjunto dos Ministérios de Minas e Energia e da Fazenda, a partir de metodologia de atualização prevista em portaria.

Em nota, o MME afirmou que mantém diálogo permanente com agentes do setor, incluindo entidades representativas, e acompanha de forma contínua a evolução dos preços e seus impactos.

Segundo o ministério, o programa foi instituído por lei e segue diretrizes legais que asseguram estabilidade e segurança jurídica, sendo continuamente monitorado para garantir o atendimento às famílias beneficiárias em todo o país.

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