Impasse entre EUA e Irã sustenta risco de petróleo caro e pressiona mercado
Trump condiciona acordo a termos “apropriados” e ordena ação contra tentativa de instalar minas no Estreito de Ormuz; no Brasil, governo envia projeto para transformar alta da arrecadação com petróleo em corte de tributos sobre combustíveis
24/04/2026 às 09:10por Redação Plox
24/04/2026 às 09:10
— por Redação Plox
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O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã tem levado investidores a considerar um cenário em que o petróleo permaneça em patamares elevados por mais tempo, diante das incertezas sobre a evolução do conflito na região.
Em meio às tensões, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em publicação na rede Truth Social que o cessar-fogo entre Israel e o Líbano será estendido por três semanas.
Na agenda americana, os Estados Unidos divulgam o índice de confiança do consumidor da University of Michigan, considerado um dos principais indicadores sobre o sentimento das famílias no país.
No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que enviou ao Congresso um projeto de lei complementar para transformar ganhos extraordinários de arrecadação com a alta do petróleo em cortes de tributos sobre combustíveis.
Também pela manhã, o Banco Central do Brasil informou que o país registrou déficit em conta corrente de US$ 6 bilhões em março, segundo a Nota à Imprensa do Setor Externo divulgada às 8h30.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Dólar e Ibovespa: balanço dos acumulados
No câmbio, o dólar acumula alta de 0,39% na semana, queda de 3,40% no mês e recuo de 8,85% no ano.
Já o Ibovespa registra queda de 2,23% na semana, alta de 2,08% no mês e avanço de 18,78% no ano.
Tensões no Oriente Médio mantêm incertezas no radar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que um eventual acordo com o Irã só será fechado quando considerar que os termos são “apropriados e benéficos” para os interesses americanos.
Em mensagem na Truth Social, Trump reagiu a reportagens que apontavam pressa por um desfecho rápido da guerra e escreveu:
Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não — o relógio está correndo
Donald Trump
O presidente já havia anunciado na terça-feira (21) a extensão do cessar-fogo com o Irã, mas a medida não foi suficiente para reduzir as tensões no Estreito de Ormuz.
O bloqueio naval americano na região continua em vigor, e forças dos EUA apreenderam um petroleiro suspeito de transportar petróleo iraniano de forma irregular. Enquanto Washington afirma aguardar uma nova proposta de paz de Teerã, autoridades iranianas indicaram que não pretendem participar de negociações no curto prazo.
Nesta quinta-feira, Trump afirmou ter ordenado que a Marinha dos EUA “atire e mate” qualquer embarcação que tente instalar minas na passagem marítima. Segundo ele, navios militares especializados já atuam na retirada de explosivos da área.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o jornal The Washington Post informou que o Pentágono avalia que a remoção completa das minas no estreito pode levar até seis meses.
O Estreito de Ormuz segue no centro da disputa entre os dois países. Na semana passada, em um gesto ligado ao cessar-fogo, o Irã chegou a reabrir a passagem marítima. Dias depois, porém, o canal foi fechado novamente depois que os EUA recusaram um pedido iraniano para suspender o bloqueio naval mantido na entrada da rota.
Bolsas globais fecham sem direção única
As bolsas internacionais encerraram a sessão desta quinta-feira sem tendência definida, em meio à cautela dos investidores diante da guerra no Oriente Médio e de resultados corporativos mistos no setor de tecnologia.
Em Wall Street, também pesavam preocupações sobre os impactos da inteligência artificial nas empresas de software. Ao final do pregão, o Dow Jones caiu 0,32%, o S&P 500 recuou 0,57% e o Nasdaq perdeu 0,87%.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,12%, aos 614,63 pontos. Entre as principais bolsas, Londres (FTSE 100) caiu 0,19%, aos 10.457,01 pontos; Frankfurt (DAX) recuou 0,16%, aos 24.155,45 pontos; e Paris (CAC 40) subiu 0,87%, aos 8.227,32 pontos.
Na Ásia, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,95%, aos 25.915 pontos. Em Xangai, o SSEC recuou 0,32%, aos 4.093 pontos, e o CSI300 cedeu 0,28%, aos 4.786 pontos.
Em Tóquio, o Nikkei registrou queda de 0,75%, aos 59.140 pontos, enquanto, em Seul, o Kospi avançou 0,90%, aos 6.475 pontos.