PM é suspensa após matar moradora em ação policial na Zona Leste de SP
Justiça impôs medidas cautelares à soldado de 21 anos, como recolhimento noturno, proibição de portar arma e restrições de contato com testemunhas e familiares da vítima
24/04/2026 às 09:41por Redação Plox
24/04/2026 às 09:41
— por Redação Plox
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A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que matou a moradora Thawanna Salmázio durante uma ação policial na Zona Leste de São Paulo, foi suspensa da corporação e terá de cumprir uma série de restrições impostas pela Justiça. A decisão, desta quarta-feira (22), estabelece medidas cautelares e inclui recolhimento domiciliar noturno e proibição de portar arma.
A medida atende a um pedido da polícia com concordância do Ministério Público. Para o magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, o que justifica a adoção das restrições.
Decisão judicial desta quarta-feira (22) determinou restrições para a policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, entre elas não manter contato com testemunhas e familiares da vítima Thawanna Salmázio e de deixar a região sem autorização.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Medidas cautelares impostas pela Justiça
Com a decisão, Yasmin está proibida de portar arma de fogo, de manter contato com testemunhas e familiares de Thawanna e de deixar a comarca sem autorização prévia da Justiça. Além disso, deverá cumprir recolhimento domiciliar entre 22h e 5h.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Militar não comenta decisões judiciais.
Como ocorreu a morte de Thawanna
Thawanna morreu após ser baleada durante uma ação policial em Cidade Tiradentes. Ela caminhava na rua durante a madrugada com o marido quando o braço dele tocou o retrovisor de uma viatura que fazia patrulhamento. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal, o que deu início a uma discussão.
Yasmin, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura. Nas imagens registradas pela câmera corporal do motorista, é possível ouvir Thawanna dizendo à militar para não apontar o dedo para ela. Em seguida, foi efetuado o disparo.
Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?
soldado Weden Silva Soares
Após ser questionada, Yasmin respondeu que atirou porque a moradora teria dado um tapa no rosto dela.
De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, a ação policial teve abusos e violência desde o primeiro contato e se configurou como uma “briga” entre agentes e civis, não uma abordagem, além de desrespeitar protocolos da Polícia Militar.
Na época, Yasmin estava na etapa final do estágio na corporação e fazia patrulhamento nas ruas havia cerca de três meses. Ela não usava câmera corporal.
Polícia Civil apura demora no resgate
Thawanna esperou mais de 30 minutos pelo resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. O atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.
Socorristas afirmaram que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.
Linha do tempo indica mais de 30 minutos entre tiro e atendimento
Uma sequência de registros oficiais e imagens de câmera corporal à qual a TV Globo teve acesso detalha os mais de 30 minutos entre o disparo que atingiu Thawanna e a chegada do resgate, na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes.
Às 2h59, o registro da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares captou o som do tiro dado por Yasmin. Segundos depois, ainda com a vítima no chão, o policial acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e pediu resgate, reforçando a solicitação logo em seguida.
Apesar dos pedidos imediatos, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação. Nesse intervalo, o soldado voltou a reforçar o pedido de socorro ao Copom.
Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi inicialmente empenhada para a ocorrência. Seis minutos depois, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra. Durante esse período, o policial demonstrou preocupação com o tempo de espera e insistiu por atendimento.
A segunda ambulância designada saiu da base às 3h17 e chegou ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o pedido inicial. Às 3h37, a ambulância deixou a ocorrência e chegou ao hospital às 3h40. Thawanna, ajudante-geral, não resistiu e morreu na unidade de saúde.