Governo de MG publica manual e avança na privatização da Copasa

Etapa prévia abre seleção de investidor de referência que poderá comprar até 30% das ações; operação pode movimentar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões

24/04/2026 às 08:43 por Redação Plox

O governo de Minas Gerais avançou no processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ao publicar, na quinta-feira (23/4), o manual da etapa prévia para a seleção de um investidor de referência. Esse grupo poderá adquirir até 30% das ações da companhia.

A fase de cadastramento dos interessados começa nesta sexta-feira (24/4) e vai até 8 de maio. A expectativa do Executivo mineiro é concluir a operação nas próximas semanas, com movimentação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.


Grupos interessados em se tornar investidores de referência da Copasa em Minas devem se cadastrar na B3 a partir desta sexta (24/4)

Grupos interessados em se tornar investidores de referência da Copasa em Minas devem se cadastrar na B3 a partir desta sexta (24/4)

Foto: Divulgação/Copasa


Seleção na B3 e exigências para investidores

A seleção será conduzida pela B3 e deve envolver investidores profissionais, com participação individual ou em consórcio. O modelo repete a estrutura adotada na desestatização da Sabesp, em São Paulo, com a entrada de um sócio estratégico.

Para entrar na disputa, os interessados terão de cumprir requisitos como comprovar experiência em infraestrutura, com investimentos prévios de pelo menos R$ 6,3 bilhões e garantias financeiras de no mínimo R$ 7 bilhões. Na etapa seguinte, os candidatos apresentarão propostas com o valor que estão dispostos a pagar.

Como é a estrutura acionária da Copasa hoje

Atualmente, a Copasa tem capital misto. O governo de Minas detém 50,3% das ações — o que assegura o controle da empresa — enquanto os outros 49,7% estão com investidores privados, com papéis negociados na bolsa.

É justamente essa participação do estado que está sendo colocada à venda.

O que muda com a venda das ações

O plano do governo é dividir sua participação de 50,3% em três partes, alterando, na prática, o comando da companhia:

  • • 30% serão vendidos a um investidor de referência, que passa a ter influência direta na gestão;
  • • 15% serão ofertados no mercado, ampliando a participação de acionistas privados;
  • • até 5% permanecerão com o governo de Minas, junto a uma “golden share”, que garante poder de veto em decisões estratégicas.

Com essa estrutura, o governo deixa de ser o acionista controlador da empresa.

O que ainda falta para a privatização ser concluída

Apesar do avanço, o processo ainda depende de aval definitivo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O órgão já autorizou o andamento das etapas preparatórias, mas determinou que decisões finais só sejam tomadas após uma análise conclusiva.

O mercado também aguarda definições sobre o modelo regulatório e o cronograma da operação. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a Copasa afirmou que a decisão do tribunal não impede a oferta, mas orienta que a conclusão ocorra apenas após o posicionamento final do TCE.

O que está em jogo

A privatização da Copasa é uma das principais apostas do governo mineiro para atrair investimentos e reduzir a participação do estado em empresas estratégicas.

Para a população, os efeitos ainda são incertos e devem depender das regras que serão impostas após a venda, especialmente em relação a tarifas, metas de expansão e qualidade dos serviços de água e esgoto em Minas Gerais.

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