Estrutura de mina da Vale pode romper a qualquer instante, diz Defesa Civil

24/05/2019 15:01

Em Barão de Cocais, a movimentação do talude do complexo da mina de Gongo Soco aumentou

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A Agência Nacional de Mineração informou que a movimentação do talude do complexo da mina de Gongo Soco aumentou. Com os novos dados, a projeção é de que o talude pode se romper neste sábado (25). Segundo o coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, o tenente-coronel Flávio Godinho, a estrutura vinha se movendo 5 cm por dia, hoje, dia 24, ela estava se movendo a 16 cm na parte da manhã.

As atividades na mina de Gongo Soco estão suspensas desde o dia 17 de maio, quando o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Eduardo Leão, informou que com a gravidade do fato, o talude iria se romper de qualquer jeito.

Fotos da Barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, que pode romper (Foto: divulgação/Defesa Civil de MG)Fotos da Barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, que pode romper (Foto: divulgação/Defesa Civil de MG)

Segundo a previsão adotada pela prefeitura de Barão, se a mina de Gongo Soco romper, a lama deve seguir pelo curso do rio e percorrer cerca de 18 quilômetros. Neste caso, outros nove bairros seriam inundados, atingindo 3 mil casas e 6 mil pessoas. Em alguns pontos, o cálculo é que o leito chegue a sete metros de altura.

Ruptura do talude seria só o começo
Com um reservatório de rejeitos bem próximo a mina de Congo, as autoridades e a população temem que, ao ceder, o talude seja apenas o início de um desastre ainda maior. Com a ruptura das paredes da mina, o tremor pode vir a ser um estímulo para o rompimento de uma mina próxima, chegando a invadir cidades vizinhas.

Entretanto, a vale informou que não há indícios técnicos de que isso venha a ocorrer.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, desde que a Vale apresentou, na terça-feira (21), um novo estudo de impacto, a pedido do MP, houve uma "potencialização da crise" na cidade.

Isso, porque, de acordo com o novo documento, a mancha de inundação aumentaria em até 40 quilômetros, ultrapassando os limites de São Gonçalo, considerando que 100% dos rejeito da barragem poderiam vazar.

"Se chegaria até o quintal, agora iria até a porta da cozinha. Mas temos na literatura que fica entre 70% e 73%.  E, de qualquer forma, nosso trabalho já englobava uma mancha maior. Estávamos trabalhando com o pior cenário possível", informa Godinho.

Atualizado às 16h17.



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