Autorizações de trabalho para chineses superam 10 mil em 12 meses; Bahia concentra 55%

Alta acompanha expansão de empresas chinesas no país e tem Camaçari como principal polo, com a atuação da BYD no antigo complexo da Ford.

24/05/2026 às 12:21 por Redação Plox

O Brasil passou a registrar, desde junho de 2025, média superior a mil autorizações mensais de trabalho para cidadãos chineses, em um movimento ligado à expansão de empresas do país asiático no mercado brasileiro. No primeiro trimestre deste ano, foram 3.193 autorizações para trabalhadores da China, o equivalente a 38% dos 8.232 vistos laborais concedidos a estrangeiros no período, segundo levantamento da Folhapress com dados do Ministério da Justiça.

O crescimento é expressivo em relação aos anos anteriores. Em 2023, a média era de 270 autorizações mensais para chineses, menos de 8% do total. Em 2024, passou para 625 por mês e, em 2025, chegou a 844, ano em que o país superou pela primeira vez a marca de 10 mil autorizações no acumulado de 12 meses.

BYD assumiu a fábrica de Camaçari (BA), que antes era da Ford

BYD assumiu a fábrica de Camaçari (BA), que antes era da Ford

Foto: Secom/Governo da Bahia


Bahia no centro do fluxo

A Bahia concentrou 55% dos vistos concedidos a chineses nos três primeiros meses do ano. O principal fator é a presença da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, onde a montadora assumiu o antigo complexo da Ford para produzir veículos eletrificados.

A BYD responde por cerca de um terço dos registros. Do início de 2025 até o começo deste mês, 2.700 funcionários chineses ligados à companhia conseguiram autorização para trabalhar no Brasil. A empresa afirma que há alta rotatividade entre os expatriados e que muitos permanecem de 90 a 120 dias no país para treinamento e transferência de tecnologia a equipes locais.

Além da montadora, aparecem entre as empresas com mais autorizações para trabalhadores chineses a Falcão Engenharia, a XCMG Brasil, a Engenova Construções e a GWM. A Falcão e a Engenova prestam serviços nas obras do complexo industrial da BYD em Camaçari.

Treinamento, obras e debate trabalhista

A presença de profissionais chineses tem sido defendida pelas empresas como parte da fase de instalação, capacitação técnica e expansão industrial. No caso da BYD, a montadora afirma que a estrutura herdada da antiga fábrica da Ford precisou ser adaptada para um modelo de produção diferente, voltado a veículos elétricos e híbridos.

O avanço também ocorre em meio a questionamentos trabalhistas. Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que fiscalizações em Camaçari identificaram 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições classificadas pela fiscalização como análogas à escravidão. A pasta apontou responsabilidade direta da montadora na vinda irregular desses trabalhadores. A BYD, por sua vez, tem afirmado que os trabalhadores estavam vinculados a prestadoras de serviço e que adotou medidas como hospedagem e retorno de funcionários à China.

Pela legislação brasileira, a contratação de mão de obra estrangeira deve respeitar limites previstos na CLT, que exige, em regra, proporção mínima de trabalhadores brasileiros nas empresas. A autorização de residência para fins laborais é concedida pelo governo federal a imigrantes que pretendem exercer atividade profissional no país ou a empresas interessadas em contratar mão de obra estrangeira.

Impacto local

Em Camaçari, a chegada de trabalhadores estrangeiros movimentou hotéis, locações e serviços, mas também gerou debate entre sindicatos e trabalhadores locais sobre prioridades de contratação e condições de trabalho. A empresa estima ampliar o quadro no Brasil, mantendo os chineses como parcela minoritária da força de trabalho.

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