Lula se reúne com aliados para fechar proposta de fim da escala 6x1 e jornada de 40h
Reunião em Brasília mira os últimos ajustes do texto; comissão especial foi convocada para votar parecer às 17h na Câmara.
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), evitou cravar qual será o futuro político de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da crise envolvendo o pré-candidato e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionado pela coluna de Diego Amorim sobre a possibilidade de o caso afastar o partido de Flávio e sobre o crescimento de outros nomes da centro-direita, Ciro respondeu apenas:
A reação de Ciro Nogueira à possibilidade de Flávio Bolsonaro sair da disputa
Foto: crédito: Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
“Tudo imprevisível”.
A fala curta de Ciro ocorre em meio ao aumento da pressão sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O senador passou a ser cobrado por explicações depois da revelação de contatos com Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Flávio afirma que a relação com o banqueiro se limitou a uma negociação de investimento para um filme sobre Jair Bolsonaro e nega irregularidades.
O próprio Ciro Nogueira foi alvo, no início de maio, da 5ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a Polícia Federal, a fase da operação buscou aprofundar apurações sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional ligadas ao Banco Master. A decisão também autorizou bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores.
A defesa de Ciro negou irregularidades e afirmou que repudia qualquer ilação de ilicitude sobre a atuação do senador. Os advogados disseram ainda que ele está à disposição para esclarecer os fatos e que medidas investigativas graves, baseadas em trocas de mensagens de terceiros, podem ser precipitadas.
A hipótese de Flávio Bolsonaro deixar a disputa passou a circular com mais força após a repercussão do caso. Levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira (22) testou cenários eleitorais com e sem o senador do PL na corrida presidencial. Em um eventual segundo turno, Lula apareceu numericamente à frente de Flávio; o instituto também simulou Michelle Bolsonaro como alternativa no campo bolsonarista.
Ciro já havia adotado tom cauteloso ao comentar a situação de Flávio. Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, ele disse que o pré-candidato deve ser investigado como qualquer pessoa e que, se for culpado, deve responder conforme a lei. A declaração reforça o desconforto público dentro do campo aliado, em um momento em que partidos de centro-direita avaliam o impacto político do caso.