OAB-DF abre apuração disciplinar sobre sócios de escritório ligado à família de Moraes
Procedimento envolve integrantes do Barci & Barci Advogados e se baseia em informações de relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24) que a expansão do Pix ajudou a ampliar a inclusão financeira no Brasil sem provocar uma queda no uso do cartão de crédito. A declaração foi feita durante a abertura da Febraban Tech 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A participação do presidente do BC no painel de abertura constava na agenda oficial da autoridade monetária.
Segundo Gabriel Galípolo, 37 milhões de brasileiros passaram a usar cartão de crédito entre 2020 e 2024, nos primeiros cinco anos do Pix no Brasil
Foto: (crédito: Rafa Rezende/Divulgação Febraban)
Galípolo rebateu a ideia de que o sistema de pagamentos instantâneos, lançado em 2020, passou a competir diretamente com as bandeiras de cartão a ponto de reduzir a utilização do crédito. Dados do próprio Banco Central mostram movimento contrário: entre 2020 e 2024, quase 37 milhões de brasileiros passaram a ter acesso a cartão de crédito. Ao fim de 2024, 105,6 milhões de pessoas tinham limite disponível e 96,6 milhões efetivamente utilizavam o cartão.
Para o presidente do BC, a disseminação do Pix também funcionou como porta de entrada para outros serviços financeiros, especialmente entre brasileiros de menor renda. O Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central mostra que, em dezembro de 2023, 74% dos adultos inscritos no Cadastro Único já tinham ao menos uma chave Pix e 72% haviam realizado pelo menos um pagamento pela ferramenta naquele ano.
Na avaliação apresentada por Galípolo, o crescimento das contas e do acesso a produtos financeiros ganhou força após a criação do sistema de pagamentos instantâneos. O presidente do BC associou esse processo à maior inclusão bancária, ressaltando que o avanço alcançou de forma relevante a população de baixa renda.
A ampliação do acesso, porém, trouxe um desafio adicional. Dos 96,6 milhões de usuários ativos de cartão de crédito registrados em 2024, 52,8 milhões tinham dívidas que geravam juros, como crédito rotativo ou parcelamento da fatura. O Banco Central destaca que parte do crescimento ocorreu entre consumidores com pouca experiência em modalidades consideradas complexas e de custo elevado.
O impacto também aparece no orçamento das famílias. Entre os usuários de cartão, a parcela média da renda comprometida com gastos nesse meio de pagamento passou de 38,5% em 2020 para 54% em 2024. O relatório aponta ainda que, no mesmo período, dobrou o comprometimento médio da renda com dívidas que cobram juros no cartão.
Durante o evento, Galípolo afirmou que o problema do endividamento vai além da infraestrutura de pagamentos e envolve o custo do crédito no país. Ele citou os juros elevados do rotativo e defendeu a redução dos custos associados a essas operações. A avaliação apresentada pelo presidente do BC é que o avanço tecnológico promovido pelo Pix deve ser acompanhado por medidas de educação e proteção financeira para evitar que uma maior inclusão se transforme em maior vulnerabilidade ao endividamento.