Governo aumenta Imposto de Importação de mais de mil produtos; veja lista
Resolução Gecex nº 852/2026 reajusta a TEC para 1.252 códigos NCM, com aplicação escalonada entre fevereiro e março e alíquotas que podem chegar a 25% em alguns itens
O dólar começou a sessão desta quarta-feira (25) em queda, recuando 0,28% por volta das 9h, cotado a R$ 5,1416. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h.

Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump evitou mencionar a China em seu discurso sobre o Estado da União, na noite de terça-feira, às vésperas de uma viagem a Pequim. Ele fez ameaças ao Irã e citou a operação que levou à prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. No pronunciamento, também abordou inflação, tarifas comerciais e o desempenho do mercado de ações.
O discurso ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente, em um momento em que aliados temem o impacto desses índices nas eleições de meio de mandato.
Na agenda econômica americana, investidores acompanham o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, em um ambiente de incertezas em torno do setor de inteligência artificial. Ao longo do dia, também estão previstos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Também será divulgado o fluxo cambial semanal.
No campo político, pesquisa da AtlasIntel indicou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 46,2% e 46,3%, respectivamente, em meio à repercussão negativa do desfile da Acadêmicos de Niterói.
Na véspera, o humor do mercado já refletia o noticiário político: o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, com entrada de capital estrangeiro no país.
💲Dólar
Acumulado da semana: -0,40%;
Acumulado do mês: -1,76%;
Acumulado do ano: -6,07%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,50%;
Acumulado do mês: +5,58%;
Acumulado do ano: +18,85%.
Entrou em vigor nesta quarta-feira a tarifa adicional de 10% aplicada pelos Estados Unidos sobre todos os produtos que não tenham isenção. A medida foi comunicada em aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e corresponde à taxa inicialmente anunciada por Donald Trump na sexta-feira (20), e não aos 15% mencionados por ele no dia seguinte.
Após a Suprema Corte derrubar tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10% e, no sábado (21), chegou a dizer que elevaria o percentual para 15%. No comunicado destinado a fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026, a CBP informou que, exceto os itens listados como isentos, as importações estarão sujeitas à tarifa adicional de 10%.
A decisão aumentou a incerteza em torno da política comercial americana, sem esclarecer por que prevaleceu o percentual menor. O vaivém em torno das tarifas reforça a percepção de imprevisibilidade na condução da política comercial dos EUA.
Em meio a essas dúvidas, Trump fará o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h (horário de Brasília), cerimônia tradicional na qual o presidente apresenta ao Congresso um balanço do governo e as prioridades para o ano.
Nas estatísticas do setor externo, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, segundo o Banco Central. O resultado veio pior que a projeção de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam déficit de US$ 6,4 bilhões, mas ficou abaixo do rombo de US$ 9,8 bilhões de janeiro de 2025.
Na comparação anual, a melhora foi explicada sobretudo pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões. Esses avanços foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que reúne pagamentos de juros e lucros ao exterior.
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025, estava em US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB), e em janeiro de 2025, em US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB).
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão do mesmo mês de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, e as importações, US$ 21,8 bilhões. Em relação a janeiro do ano anterior, as exportações recuaram 1,2%, enquanto as importações caíram 10,0%.
Investidores também acompanham atentamente novos discursos de dirigentes do Federal Reserve, em busca de sinais sobre os próximos passos da política de juros.
Nesta terça-feira, a diretora do Fed Lisa Cook avaliou que a inteligência artificial tem provocado uma mudança geracional no mercado de trabalho americano e pode levar a um aumento na taxa de desemprego.
Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações. Lisa Cook
Em comentários preparados para uma conferência da Associação Nacional de Economia Empresarial, ela afirmou que, em um cenário de boom de produtividade, um aumento no desemprego pode não significar maior folga na economia, o que limitaria a eficácia da política monetária tradicional para suavizar um período de desemprego causado pela IA sem pressionar a inflação.
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que a autoridade monetária pode voltar a cortar juros se a inflação começar a cair, mas avaliou que seria arriscado usar o crescimento esperado da produtividade como justificativa para flexibilizar a condução das taxas. Ele afirmou estar otimista de que, até o fim de 2026, seria apropriado promover novos cortes na taxa básica, embora tema que o Fed antecipe demais o afrouxamento sem evidências suficientes de que a inflação está voltando à meta de 2%.
Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em alta, em um dia marcado pela reação ao anúncio da Anthropic sobre novas ferramentas de inteligência artificial e pela continuidade do monitoramento da política tarifária dos EUA.
O Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 subiu 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%.
O maior apetite por ativos de risco em Nova York também se refletiu na Europa, ainda que os investidores sigam à espera de mais clareza sobre as tarifas americanas. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,23%, aos 629,14 pontos. Entre os demais índices da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,04%; o DAX, de Frankfurt, recuou 0,02%; e o CAC 40, de Paris, subiu 0,26%.
Na Ásia, o clima foi mais positivo, especialmente após o retorno dos investidores chineses de um feriado prolongado. A expectativa de que uma revisão das tarifas dos EUA beneficie a economia chinesa impulsionou os mercados, fortaleceu o iuan e estimulou compras em várias bolsas da região.
Na China, o índice de Xangai avançou 0,9%, e o CSI300 subiu 1%. Em Tóquio, o Nikkei ganhou 0,9%, para 57.321 pontos. O Kospi, na Coreia do Sul, subiu 2,11%, e o Taiex, em Taiwan, avançou 2,75%.