Ex-dirigentes do INSS avançam em delação e citam Lulinha e políticos em investigação sobre descontos indevidos

Presos desde novembro de 2025, ex-integrantes do alto escalão negociariam colaboração premiada em apuração sigilosa sobre fraudes em descontos associativos; PF aponta valores milionários e defesa nega delação em andamento.

25/02/2026 às 09:48 por Redação Plox

Dois ex-integrantes do alto escalão do INSS, presos desde novembro de 2025, avançaram em negociações de colaboração premiada no caso que apura fraudes em descontos associativos aplicados em benefícios previdenciários. As informações divulgadas nesta quarta-feira (25) apontam que os relatos mencionam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e também nomes ligados ao meio político, em um enredo que segue sob sigilo e ainda depende de validação formal pelas autoridades.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha

Foto: Reprodução


Ex-dirigentes detalham suposto esquema

De acordo com publicações desta manhã, o ex-procurador jurídico do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis teriam descrito, em tratativas avançadas de delação, como funcionaria o esquema investigado na Operação Sem Desconto, que mira descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Os relatos atribuídos aos delatores indicam que eles teriam citado Lulinha e também figuras políticas, entre elas a ex-ministra Flávia Péres, mencionada como ex-Flávia Arruda. As menções ocorrem em um contexto de investigação sobre o fluxo de recursos e a atuação de entidades que firmaram Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS.

Ainda segundo o que foi publicado, a Polícia Federal atribui a Virgílio Oliveira Filho recebimentos milionários de empresas ligadas às entidades sob suspeita. Já a André Fidelis seriam relacionados valores também expressivos em supostas propinas, no período em que ocupou cargo estratégico na autarquia.

Ponto central das apurações é a possibilidade de que ex-dirigentes do INSS, em processo de delação, tenham entregado Lulinha e políticos como parte da narrativa sobre os descontos irregulares.

Em paralelo, reportagem reproduzida por veículo local registra que a defesa de Virgílio nega a existência de delação em andamento. O contraste entre as versões reforça que, neste momento, a informação sobre eventual acordo precisa ser tratada como ainda em apuração, à espera de confirmação documental ou decisão judicial.

Caso sob sigilo e com ramificações no STF

Até agora, nas fontes abertas consultadas, não há divulgação oficial do teor de uma possível colaboração premiada envolvendo os ex-dirigentes citados. O processo tramita com partes sob sigilo e tem ramificações no STF, uma vez que as menções alcançam autoridades com prerrogativa de foro.

Em outra frente ligada ao mesmo caso, a Polícia Federal comunicou ao STF que investigaria se Lulinha teria atuado como “sócio oculto” do operador conhecido como “Careca do INSS”. No mesmo informe, destacou que, até aquele momento, não havia elementos que indicassem participação dele nos crimes sob apuração — contexto importante para diferenciar citação de nome de prova ou denúncia formal.

No Congresso, a CPMI do INSS discutiu medidas como pedidos de quebra de sigilos de pessoas mencionadas nas investigações, incluindo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, em meio a relatos de suposta “mesada” atribuída a conversas e depoimentos reproduzidos em reportagens.

Reflexos para beneficiários, governo e investigações

Para aposentados e pensionistas, o caso mantém a pressão por reforço de controles sobre os ACTs e por mecanismos de contestação e ressarcimento de descontos associativos considerados indevidos, tema que já gera grande volume de reclamações e ações judiciais em diversos estados.

Para o governo e o Congresso, a presença de nomes politicamente expostos, tanto de situação quanto de oposição, tende a acirrar a disputa narrativa e acelerar pedidos de quebras de sigilo, convocações e novas fases investigativas, especialmente na CPMI.

Para a investigação, eventuais delações — se confirmadas e homologadas — podem destravar linhas de apuração sobre o fluxo de dinheiro, a habilitação de entidades e a existência de possíveis “padrinhos” políticos. Esses relatos, porém, só ganham peso probatório após checagem, cruzamento de dados e validação judicial.

Próximos passos sob observação

Um dos movimentos aguardados é a confirmação, por documentos ou manifestações oficiais de órgãos como PF, MPF, PGR e STF, sobre se há, de fato, acordo de colaboração formalizado e em que fase ele se encontra — proposta, negociação, assinatura ou homologação.

Também são esperadas decisões do STF sobre medidas cautelares, quebras de sigilo e compartilhamento de provas com a CPMI do INSS, em processo que foi redistribuído e está sob a relatoria do ministro André Mendonça.

No Legislativo, a tendência é acompanhar as sessões da CPMI para votação de requerimentos e novos depoimentos, que poderão confirmar ou refutar as citações envolvendo ex-dirigentes do INSS, Lulinha e outros agentes políticos no contexto da Operação Sem Desconto.

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