Governo aumenta Imposto de Importação de mais de mil produtos; veja lista
Resolução Gecex nº 852/2026 reajusta a TEC para 1.252 códigos NCM, com aplicação escalonada entre fevereiro e março e alíquotas que podem chegar a 25% em alguns itens
O governo brasileiro decidiu manter, por enquanto, o atual modelo de rateio das exportações de carne bovina para a China, mesmo após a adoção de salvaguardas pelo país asiático que estabelecem uma cota anual e uma tarifa extra para volumes que excederem esse limite. A avaliação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é de que a estrutura em vigor deve ser preservada em um cenário em que Pequim indica que não pretende habilitar novos frigoríficos brasileiros por um período prolongado.
A decisão ocorre em meio a um redesenho do comércio global de proteínas. A China continua como principal destino da carne bovina brasileira, enquanto os Estados Unidos, segundo maior comprador, adotam medidas que, segundo análises do setor, aumentam a tensão comercial e podem afetar fluxos e preços. Nesse contexto, a exportação de carne bovina do Brasil passa a ser vista como um ponto sensível também na relação com os EUA.
De acordo com informação atribuída ao Mapa e divulgada pela Rádio Itatiaia, o Brasil descartou, neste momento, um novo redesenho da divisão interna das exportações de carne bovina destinadas à China, mantendo o modelo de rateio atualmente aplicado entre os frigoríficos habilitados.
O pano de fundo é a mudança de regra do lado chinês. A China passou a trabalhar com cotas por país e com uma tarifa adicional de 55% para o volume que ultrapassar o limite anual. Para o Brasil, a referência de cota mencionada para 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas, segundo as informações reportadas.
Em paralelo, o governo brasileiro sinaliza que pretende negociar essas cotas com Pequim ao longo de 2026, buscando alternativas como o aproveitamento de cotas não utilizadas por outros países, conforme declaração do ministro Carlos Fávaro à CNN Brasil.
Decisão ocorre após limite a importação da carne brasileira ao país asiático
Foto: Divulgação/Governo de Rondônia
Segundo informações atribuídas ao Mapa, a decisão de preservar o modelo atual de rateio está ligada ao ambiente de mercado e à indicação de que não haverá novas habilitações de plantas brasileiras para exportar à China no curto e médio prazo. Nesse cenário, um redesenho da divisão interna teria efeito limitado sobre o acesso efetivo ao mercado chinês.
O governo brasileiro vinha acompanhando os movimentos de Pequim relacionados às salvaguardas e às investigações sobre importações de carne bovina. Em nota, o Ministério indicou que atuaria em conjunto com o setor para defender os interesses do agronegócio brasileiro e manter o diálogo com a China.
Para frigoríficos e pecuaristas, a manutenção do rateio reduz incertezas operacionais no curtíssimo prazo, mantendo as regras de divisão de embarques já conhecidas pelo mercado. Ao mesmo tempo, o setor permanece exposto ao risco de incidência da tarifa extra caso as exportações brasileiras superem a cota chinesa, o que pode pressionar margens e exigir redirecionamento de parte da produção para outros destinos.
No mercado interno, eventuais freios nas exportações para a China decorrentes de cota ou tarifa podem alterar o equilíbrio entre oferta para o mercado externo e doméstico. Se volumes significativos forem redirecionados ao consumo interno, pode haver algum alívio de preços ao consumidor. Por outro lado, se houver disputa por outros mercados que paguem melhor, o efeito pode ser neutro ou até elevar custos de determinados cortes, dependendo da demanda global e do comportamento do câmbio, fatores ainda em observação.
Na relação com os Estados Unidos, o tema ganha relevância adicional. A carne bovina está entre os produtos em que o Brasil ampliou protagonismo no comércio internacional, e mudanças tarifárias ou restrições de grandes compradores tendem a alimentar disputas comerciais e diplomáticas, com reflexos sobre contratos e previsibilidade de exportação. Nesse cenário, a exportação de carne bovina torna-se um dos principais pontos de fricção, transformando o Brasil em um potencial “calo” para os EUA na disputa por espaço no mercado global.
O governo indica que, em 2026, pretende abrir ou aprofundar negociações com a China para ajustar a operacionalização das cotas e tentar reduzir o risco de incidência da tarifa adicional sobre a carne bovina brasileira. A estratégia inclui buscar mecanismos de aproveitamento de cotas não utilizadas por outros países.
Com a sinalização de que não haverá novas habilitações por um período, o foco tende a se concentrar na manutenção das plantas hoje autorizadas, garantindo conformidade com exigências sanitárias e evitando suspensões após auditorias e inspeções.
Entidades do setor e consultorias especializadas devem atualizar suas projeções de embarques para China e Estados Unidos, avaliando a possível migração de volumes para mercados como México, Oriente Médio e outros destinos, além de acompanhar possíveis impactos sobre o valor da arroba e os preços no atacado. A forma como o Brasil equilibra o envio de carne bovina para China e EUA tende a ser decisiva para definir preços, margens e estratégias comerciais da cadeia produtiva nos próximos anos.