Inadimplência em empréstimos com recursos livres sobe a 5,5% e atinge maior nível desde 2017, diz BC

Com Selic em 15% ao ano, Banco Central aponta sinais de desaceleração da economia e possibilidade de iniciar cortes no mês seguinte

25/02/2026 às 12:01 por Redação Plox

A inadimplência de consumidores e empresas em empréstimos com recursos livres — aqueles em que bancos e clientes negociam diretamente as condições — subiu para 5,5% em janeiro, segundo dados do Banco Central. Trata-se do maior nível desde agosto de 2017.

Em dezembro, o índice estava em 5,4%. Na comparação em 12 meses, houve alta de 1,1 ponto percentual, em um cenário de juros ainda elevados: a taxa básica Selic está em 15% ao ano.

Após interromper, em julho, um ciclo considerado agressivo de aperto monetário, o Banco Central manteve os juros, no início deste ano, no patamar mais alto em quase duas décadas. A instituição sinalizou, porém, a possibilidade de começar a cortar a Selic no próximo mês, diante de sinais mais claros de desaceleração da economia.


Inadimplência—CE

Inadimplência—CE

Foto: Serasa/Divulgação


BC vê sinais de estabilização da inadimplência

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito. O documento apontou também que já há “alguns sinais de estabilização” desse indicador.

Concessão de crédito encolhe em janeiro

Os dados do Banco Central mostram ainda que a concessão de empréstimos recuou 18,9% em janeiro, na comparação com dezembro. Com isso, o estoque total de crédito do sistema financeiro caiu 0,2%, somando R$ 7,116 trilhões.

Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês. Nos financiamentos com recursos direcionados — aqueles que seguem critérios definidos pelo governo — a retração foi ainda mais intensa, de 32,9%.

Juros e spread bancário seguem em alta

Os juros cobrados pelos bancos no crédito com recursos livres avançaram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação a dezembro. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com aumento de 0,2 ponto no mesmo período.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente — também subiu. Nas operações com recursos livres, passou de 33,0 para 34,3 pontos percentuais entre dezembro e janeiro.

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