Governo aumenta Imposto de Importação de mais de mil produtos; veja lista
Resolução Gecex nº 852/2026 reajusta a TEC para 1.252 códigos NCM, com aplicação escalonada entre fevereiro e março e alíquotas que podem chegar a 25% em alguns itens
O pai, a madrasta e a avó de uma adolescente de 16 anos encontrada morta em Porto Velho foram presos nesta terça-feira (24/2), suspeitos de envolvimento na morte da jovem. A vítima, identificada como Marta Isabelle dos Santos Silva, foi localizada já sem vida pela Polícia Militar de Rondônia (PMRO), na casa da família, deitada sobre uma cama e coberta por um lençol, com múltiplas lesões e ferimentos pelo corpo.
De acordo com a PM, os militares foram acionados após um chamado informar que a adolescente — que estaria desaparecida há cerca de três meses — havia retornado para casa com diversos ferimentos e morrido em seguida.
Pai, madrasta e avó são presos por suspeita de tortura e morte de adolescente mantida em cárcere por dois meses em Porto Velho
Foto: Reprodução Rede Amazônica/RO
A perícia, contudo, identificou de imediato fortes indícios de tortura e concluiu que não seria possível que a adolescente tivesse chegado ao local andando, diante da gravidade das lesões observadas.
A adolescente apresentava ferimentos graves por todo o corpo, incluindo ossos expostos — o rádio do braço esquerdo e um osso na região da clavícula —, além de lesão na perna com presença de larvas (miíase), feridas nas costas compatíveis com permanência prolongada deitada, dente frontal quebrado e sinais evidentes de desnutrição severa. PMRO
Na área externa da residência, a polícia encontrou uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. Segundo a corporação, a quantidade de fraldas levantou suspeita de que a adolescente permanecia no local por um período muito maior do que o informado pela madrasta, o que reforça a suspeita de tentativa de ocultação de provas.
A morte foi constatada pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que esteve na casa. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Porto Velho.
Ao chegar ao imóvel, os policiais ouviram a madrasta da vítima, que apresentou versões contraditórias. Ela afirmou inicialmente que a enteada estava desaparecida há mais de dois meses, mas não havia qualquer registro de boletim de ocorrência.
Em seguida, disse que a adolescente retornou a pé para casa, descalça, usando um vestido vermelho, extremamente ferida e debilitada. Alegou ainda que não procurou atendimento médico, optando por realizar apenas cuidados caseiros.
A avó de Marta Isabelle confirmou à polícia que encontrou a neta em estado grave, mas também não buscou socorro. Já a filha da madrasta relatou que a adolescente já havia sido vítima de maus-tratos anteriormente.
Vizinhos contaram que não viam a jovem desde o Natal. Sempre que perguntavam pela menina, a família dizia que ela estava em um retiro espiritual.
O pai da adolescente foi localizado na casa de sua mãe. Em depoimento, confessou que a filha não estava desaparecida. Segundo a PMRO, ele relatou que a jovem havia fugido de casa meses antes, mas foi encontrada, levada de volta e mantida em cárcere privado por mais de dois meses.
Ele a amarrava todas as noites à cama com fio elétrico, prendendo seus braços, e durante o dia a deixava trancada dentro da residência. PMRO
Testemunhas também relataram que o pai cortou o cabelo da adolescente como forma de castigo, sob a alegação de que ela estava com piolhos.
Diante dos relatos, dos vestígios encontrados na casa e das evidências periciais, a polícia concluiu haver indícios de participação do pai, da madrasta e da avó, tanto por ação quanto por omissão, em crimes de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro, todos praticados no contexto de violência doméstica.
Os três foram presos e permanecem à disposição da Justiça.