Endometriose gera câncer? Entenda a relação entre as condições

A endometriose atinge cerca de 10% da população feminina brasileira, afirma o médico especialista em ginecologia e obstetrícia, Alexandre Silva e Silva

Por Plox

25/03/2024 10h43 - Atualizado há 4 meses

A endometriose é uma doença que afeta milhares de mulheres no mundo inteiro e pode prejudicar bastante a sua qualidade de vida. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de 10% das mulheres brasileiras sofrem da condição.

A endometriose é uma condição crônica que acomete as mulheres e causa o crescimento de tecido semelhante ao revestimento do útero (endométrio) do lado de fora do útero, podendo atingir os ovários, tubas uterinas e outros órgãos pélvicos. O que causa sintomas como dor menstrual intensa, dor pélvica crônica, sangramento irregular e dificuldade para conceber.

Foto: Divulgação

 

Endometriose causa câncer?

Muitas pessoas têm dúvidas sobre a doença e se ela pode vir a se transformar em um câncer. Alguns estudos e publicações científicas têm associado uma maior incidência de câncer de células claras de ovário em pacientes que tiveram endometriose anteriormente, de acordo com o médico especialista em ginecologia e obstetrícia, Alexandre Silva e Silva. “A endometriose é uma condição benigna, causadora de sintomas extremos e incapacitantes e que precisa de uma cirurgia para a remoção completa de suas lesões. No entanto, como é uma condição inflamatória, ela pode aumentar o risco de certos tumores, especialmente nos ovários”.

“Esse risco é analisado pelo profissional caso a caso para determinar a melhor abordagem preventiva de tratamento da endometriose”, explica o médico Alexandre Silva e Silva.

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Principais sintomas da endometriose:

Dor intensa durante a menstruação;

Dor pélvica persistente;

Sangramento menstrual irregular;

Dor durante as relações sexuais;

Dificuldade para engravidar;

Fadiga.

Como é feito o tratamento contra endometriose?

O tratamento para endometriose varia de acordo com a gravidade da doença e a condição da paciente. Na grande maioria dos casos, o melhor tratamento é cirúrgico para remoção completa das lesões e restauração da anatomia do aparelho reprodutor feminino, explica Alexandre Silva.

“Os tratamentos para endometriose são personalizados para cada paciente, podendo incluir o uso de medicamentos para aliviar a dor e tentar controlar o crescimento do tecido endometrial fora do útero. Além disso, a terapia hormonal pode ser usada para reduzir o crescimento do tecido endometrial e interromper a menstruação, mas somente a cirurgia é capaz de remover as lesões”.

“Em casos mais avançados e graves, nos quais o útero está muito infiltrado por lesões e apresenta uma adenomiose difusa, pode ser necessária a cirurgia de remoção do útero, a histerectomia, mas essa indicação é considerado o último recurso do tratamento, podendo ser prevenido com o diagnóstico precoce e tratamento regular”.

“Retirar o útero não é tratamento para a endometriose! A doença deve ser tratada através da identificação detalhada das lesões, permitindo uma busca ativa das mesmas durante a cirurgia para a sua completa remoção”, explica o médico.

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